Se fosse possível morrer de saudade, meu cadáver putrefado já estaria abaixo dos sete palmos, jazindo sozinho e inerte, corpo sem ânimo - que não é um privilégio dos seres mortos. Minha alegria, ou minhas alegrias, são espaços curtos de tempo, limitados e infrequentes. Vivo de desejar pelo próximo reencontro. Ainda assim, reconheço a beleza dessas terras, mesmo a anseiar por outras que se encontram tão distantes. Consigo enxergar a felicidade que aqui mora, apesar de não poder alcançá-la totalmente, apenas tateá-la por pequenos instantes. Sinto falta do sabor do mar, da inconstãncia e paz dos oceanos. Mas aqui também tem litoral, então porque o engano? Falta-me as circunstâncias, as companhias, as confidências... Aqui é preciso lutar um pouco mais sozinha, o que traz coragem e independência, porém faz surgir de imediato um quê de insegurança e angústia, solidão. E existe uma rua daqui de Itabuna que me lembra tanto à uma parte específica do Imbuí... É a rua onde fica um dos dois pontos nos quais posso pegar o ônibus para a universidade. Mas sempre acabo preferindo o outro, acho que dói demais. Engraçado: os mínimos detalhes não passam despercebidos em paisagens tão divergentes e, contudo, ainda é possível enxergar semelhanças, acho que é o coração quem as enxerga como num grito: quero voltar pra casa.
Mas aqui é bom também... Lugares são como pessoas, cada um do seu jeito. E existem muitos jeitos bons.