sábado, 13 de dezembro de 2014

Auto-Reconhecimento

Aqui estou: tentando reencontrar aquela menina que existia em 2011. Reativando esse meio de expressão, com o qual não me familiarizo mais tanto assim. Me causa estranhamento. Me dá, também, uma pontada forte de nostalgia, que vem como um golpe rápido, introduzindo em mim uma onda revolta daquela realidade. Pareço estar tão distante daquilo, como se não fosse eu a personagem principal daqueles acontecimentos. Repentinamente, uma sensação estranha me consome: virei espectadora de mim. Ao passo que meus olhos vão rolando por cada linha, me vem à tona milhares de flashes. São lembranças de todo tipo - imagens, cheiros, vozes, sons e toda ordem de sentimentos. Dizem que é assim o processo de regressão às outras vidas e é exatamente desse jeito que eu me sinto, como se internasse sentimentos pertencentes a outro "eu", alguém parecido comigo, mas diverso de quem sou agora. É a tal mudança, a maturidade que chega para todos? A questão é que ler esse blog é como rever um amigo que não encontrava há anos. É, aos poucos, ir reconhecendo aquela pessoa que ficou no passado, cujas características da personalidade são meras sombras de memória, que não se materializam de forma clara em sua mente. Mas, ainda assim, também é um pouco diferente disso. Diferente porque é você. Diferente porque há coisas sobre você que nunca mudam. Sentimentos. Maneira de olhar o outro (seja esse outro quem for). Desejos íntimos. Essência. Segredos. Amores e modo de amar. As coisas mais verdadeiras que existem dentro de alguém. E é muito interessante descobrir essa parte imutável. Talvez até, muito importante. Seria isto um instrumento útil para compreender a própria identidade? Um modo de finalizar essa busca incessante que, para muitos, pode durar toda uma existência?