A última vez que escrevi aqui foi há 3 anos. Falava sobre mudanças e o quanto acreditava estar diferente naquele momento em relação a quem eu era alguns anos antes. Relatei como me sentia ao ler minhas próprias palavras, escritas há tanto tempo e por alguém que achava difícil reconhecer como eu mesma, apesar da parte de mim que permanecia estável, imutável - a essência. Hoje, mais algum tempo depois, volto meu foco nesse ponto - o quanto ainda sou a mesma. Não importa quantas coisas mudem na minha vida - e como mudaram! - continuo com os mesmos sentimentos. Continuo me sentindo perdida nesse mundo, sem saber realmente o que estou fazendo aqui ou o que devo fazer (se é que devo fazer alguma coisa). Continuo sentindo esse cansaço de viver, como se estivesse fazendo as coisas erradas, como se faltasse algo e todo o resto simplesmente não valesse a pena. Essa sensação de estar deixando passar alguma coisa, de não estar vivendo do jeito certo, ainda que não tenha certeza se há um jeito "certo". Lendo e relendo meus textos, percebo agora há quanto tempo esse sentimento me acompanha. Essa necessidade de compreender e de realizar que nunca é suprida, não importa o que eu faça ou as conquistas que eu tenha, nunca é suficiente. Essa incessante busca por algo que não sei o que é - felicidade? Mas como poderia achar uma coisa que, temo, nunca tive realmente? Claro que não tenho uma vida miserável, tenho conforto e privilégios maiores do que, provavelmente, pelo menos metade da população mundial. Sem dúvidas que já tive também milhares de momentos alegres, vitórias, diversão, prazer, ao longo dessa vida. Só que, ainda assim, se alguém me fizesse a simples pergunta "Você é feliz?", minha resposta bem honesta seria "Não". Porque é assim que me sinto (ou não sinto rs). E eu não sei dizer o motivo. Talvez não haja nenhum motivo lógico ou perceptível mesmo. Mas é a verdade. Às vezes eu sinto alegria, me divirto, dou risadas, canto, danço e fico em paz. Me entusiasmo com certas coisas, fico contente, tranquila. Mas se paro para pensar na minha vida, não sinto felicidade. Não acordo satisfeita com a vida que eu levo, o que eu faço, quem eu sou. Sempre falta algo. Hoje, falta meu pai, independência, espaço, privacidade, liberdade... Tanta coisa! Vivo sufocada pelas coisas que tenho e não pedi e padeço pelas coisas que desejo e não tenho. Sei que sou uma ingrata. Sei que Deus já me deu tanto. E não penso realmente que tenho pouco ou menos do que eu mereço, mas sinto! E como sinto! Sinto falta.