sábado, 8 de janeiro de 2011

Genes Infalíveis.

As pequenas bolsas dos olhos, a boca e o nariz.. tudo tão familiar e facilmente reconhecível. Sempre com o livro na mão.. Mas, ei.. Espera aí, eu conheço esse livro!
A mesma alergia... a perninha toda empolada por causa dos mosquitos.
Uma timidez no início e depois desanda-se a falar: pode-se dizer sobre ambas as partes, dois falsos tímidos.
E aquela coisa de ficar andando de um lado pro outro... exatamente igual.
Mas então chega a hora da despedida:

Ele desce timidamente do carro, olha pra trás.
Ela não entende nada, olha em direção ao motorista: "Ele vai embora amanhã.", ele diz.
Ela compreende tudo muito devagar.. "Porque é só agora que me avisa?", pensa.
Precisa descer do carro, dizer alguma coisa para os olhos ansiosos que ainda a observam.
Sai do carro. É a hora da despedida, entende finalmente.

Leva-o até o portão... e tenta pensar no que dizer. Há tanto para dizer...

- Hm... então.. tchau! Até o meio do ano, talvez.

- Ah.. é. Meio do ano, é? Venha mesmo...

- Aham..

- Dá um abraço?

Sorriso. Se abraçam forte e rapidamente.

Mas parece que a despedida seria adiada, para a alegria dos dois.
Ela o acompanha ao aeroporto, no dia seguinte.

Estão sentados no banco, próximos ao check-in.
Ela lê uma revista. Ele, um gibi.
Se entreolham, de vez em quando. Ou têm uma conversa rápida sobre algo divertido.
Riem um pouco, se impacientam. Esperam...
Chega a hora. Caminham juntos ao portão de embarque. Após algumas piadas sobre o imenso crachá que ele precisa pendurar no pescoço, e de todas as normas para segurança em aviões, ele tem de ir.
Ela aguarda sua vez de abraçá-lo. Se pega pensando de novo no que dizer...
Ele se vira para ela, meio esperançoso e sem saber o que fazer... Sorri. Um sorriso sincero e um pouco tímido..
Ela ganha coragem, e escancara os braços, bem sorridente.

Se abraçam mais longamente do que no dia anterior: "Tchau!", "Tchau..."- dizem os dois, com certa cumplicidade.

Ele atravessa o portão de embarque, sempre olhando pra trás e dando adeusinhos com as mãos.
Ela, sorrindo, continua olhando através do vidro, esperando que ele olhe mais uma vez... Mas ele já segue em frente.

"Eu te amo..." diz para si mesma, baixinho...

E então anda em silêncio durante o trajeto até o carro, no estacionamento.
Se encolhe no banco do carona, esperando chegar logo em casa.
E chora, silenciosamente.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Menos 15 dias de luta, ou 365, ou uma vida inteira.

Eu não quero morrer. Mas eu não quero viver pra ver isso.
Será que eu merecia mesmo essa apunhalada que dói tanto? No peito, no estômago... No espírito despedaçado. Nos sonhos fugitivos. Na desesperança. No medo. Nos brônquios... dificuldade de respirar.
A sombra da dor não deixa o meu rosto. A face contraída e molhada. O olhos vazios. Tudo foi embora em questão de minutos. Como a vida pode ser assim tão volátil? Como ela pode me escorregar entre os dedos de forma tão repentina?
Mas do que a explosão das bolhas no meu corpo fraco, explode a fraqueza na minha alma. É difícil acreditar, mas a prova está literalmente estampada na minha cara. Não tenho mais vergonha da minha aparência, tenho vergonha da minha inutilidade, incapacidade de mudar as coisas. Minhas mãos estão atadas. As minhas pernas e tudo mais que sei e que possuo também.
Não gosto de ser vulnerável. Não gosto de ser passível diante da tempestade que se forma sobre a minha cabeça. Eu não nasci pra aceitar tudo do jeito que é, eu não suporto deixar as coisas como estão, me resignar. Mas o que mais eu posso fazer? Não me conformo, mas o que mais eu posso fazer?
Nada.

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Você não acreditaria se eu lhe dissesse o quanto é impossível de acreditar.

Eu perdi quase uma vida inteira em poucos dias, como pode isso, meu Deus? Eu perdi tudo o que tentei, tudo... E agora só me resta um resquício de fé desiludida de que as coisas vão melhorar. Mas no fundo, eu sei... Não vão.


sábado, 16 de outubro de 2010

Lumus

Há uma penumbra sobre o meu horizonte. Nada se esclarece ou se cobre com a pura treva. E eu me sinto tão só e tão incompreensível. Meus olhos não param de arder, não param de arder... Me consomem na iminência do fluido que não pode escorrer pela face intérprete. Essa sensação estranha de não saber onde pisar, de sentir as pernas trêmulas, temendo o risco progressivo - a cada passo - de cair no chão, seco e frio.
Eu vejo folhas caídas de outono nos meus sonhos. Lugares claros, com cores vivas, tomados de luz. Aí eu acordo debaixo da sombra de novo. Olho pro céu e não vejo nem o límpido azul, nem o cinza-chumbo. Eu vejo embaçado, sem cor definida - não sei. Não sei o que nada disso significa, realmente. Talvez seja só o meu astigmatismo, ou sei lá.
Queria ser uma boa atriz, mas minha voz sempre me entrega. É a válvula de escape da minha alma inquieta. Ela trepida, tremula, esganiça, geme, discursa, se eleva, esbraveja... igualzinha a mim. Mas eu tenho mesmo que ressurgir desse meio-termo agonizante. Sou ou não sou? Tenho ou não tenho? Posso ou não posso? Choro ou não choro?

Me isolo.
Sofro.
Me recupero.
Me iludo.
Enxergo.
O ciclo se repete. E se repete. E se repete. E se repete. E ... ... ... ...

Me é imprescindível um estopim para me retirar desse entrave. Algo drástico.
Preciso recomeçar a acreditar nos verões calmos, de longas horas nadando no mar ou só sentada na areia, enterrando os dedos do pé e respirando a água salgada. Lembrar daqueles dias de leituras leves e barulho de chuva torrencial agredindo as telhas, respirando o solo úmido e as folhas de cacau.
Tudo isso ainda está no meu futuro, é algo que não perderei e é no que devo me agarrar. Preciso me ler e me reler, me encontrar. Preciso levantar a varinha de novo e dizer: Lumus!
E aí toda penumbra irá embora e a escuridão completa nem chegará perto.
Nunca pensei que reviveria isso, o meu herói das lembranças infantis mais tristes vindo me salvar outra vez. E tem gente que não entende o poder da mente humana.

Todos os seres racionais têm medo do escuro, do incerto, do desconhecido.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Cara.

Ele têm aquele brilho nos olhos que emanam a paixão, o sangue quente dos seres emocionais. Ele irradia aquele fulgor, uma certeza bruta e lapidada - o poder de convencer milhares de almas comuns. Ele tem aquela maneira de falar à prova de falhas, totalmente esclarecedora e verdadeira - mesmo que não o seja. Ele tem aqueles gestos que atravessam o subconsciente e o prende, sem dó nem piedade. O seu tom varia em tantas frequências diferentes que a propagação de sua ideologia é hipnotizante. Ele não causa tanto impacto, é sorrateiro e objetivo. Ele planeja e consegue. Se não consegue, ainda sim ele consegue - talvez algo maior, pelo menos uma alternativa viável. O Cara pode ser de qualquer gênero, etnia, região do planeta. Mas O Cara é indivíduo raro, me refiro aos legítimos. Porque é claro que seres assim sofrem tentativas de cópia. Mas é impossível. Porque O Cara será sempre O Cara, sempre ímpar e inigualável.

eu sou uma puta de uma boazinha.

E os bonzinhos sempre se fodem. Porquê eu não consigo ser sacana como todo mundo? Porquê eu não consigo burlar algumas regras pra me beneficiar? Porquê minha consciência sempre pesa antes e não depois de fazer a coisa errada? Todo mundo me decepciona, então porque me dói tanto e eu evito tanto fazer o mesmo com os outros? Eu devia ser uma sacana, mas so uma puta de uma boazinha. E é por isso que eu me fodo sempre. Isso e minha irresponsabilidade. Boba, fraca, medrosa, idiota. Eu só faço merda comigo mesma, ótimo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Decisão à prova de balas.

Queria ter. Não tenho, não. Aquela decisão infalível, que meus olhos vêem, mas não acreditam. Ou melhor, até acreditam sim - só não viva em mim, não realizada por mim. É só que me parece tão improvável, e só não impossível porque já me deparei com ela, a maldita. Qual a razão da ilusão de sua inalcançabilidade apenas por tantos? É privilégio de alguns possuí-la, e de menos ainda dominá-la completamente. Às vezes ela aparece em algumas situações, geralmente ligadas ao desespero, para certas pessoas - acho que se configura no meu caso. Tem outras, que passam a vida numa desesperança constante e nunca a deslumbram. Mas os privilegiados - ah, os privilegiados! - esses a controlam todos os dias, a encaminham para seus interesses e objetivos, e acabam conseguindo tudo o que desejam, pelo esforço dela advindo. Incrível! Queria eu ter a bendita cuja... Quem sabe um dia? Continuarei a busca, espero que a encontre logo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Freaking Out

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!
Eu to com medo de crescer.
Eu to com medo de falhar.
Eu to com medo de mim mesma se eu falhar.
Eu to com medo de não ser boa o suficiente em nada e isso é até bem possível.
Eu to com medo de continuar a ser exatamente quem eu sou,
não mudar nem um pouquinho pra melhor.
Eu to com medo de não ser A melhor em alguma coisa.
Eu tenho a necessidade de me destacar, todo mundo tem e eu não sou hipócrita e admito.
Eu quero, eu PRECISO passar no maldito vestibular, porque eu to com medo de como eu vou ficar se isso não acontecer, eu não sei como ( e se) vou suportar a maior decepção da minha vida.
Eu to com medo de não conseguir o que eu sempre mais quis e preciso na minha existência: ser independente, e o mais rápido possível.

PU-TA QUE PA-RIU! EU QUE-RO QUE IS-SO A-CA-BE LO-GO! GRRRRRRRRRRR!

Porque as coisas não podem simplesmente acontecer do jeito que eu PRECISO que elas aconteçam?????????!!!!!

I'M SO FREAKED OUT, FREAKING SCARED!!!!!! I just can't stop it.

Nossa, eu preciso mesmo de um suco de maracujá.