quinta-feira, 14 de setembro de 2017

FALTA

A última vez que escrevi aqui foi há 3 anos. Falava sobre mudanças e o quanto acreditava estar diferente naquele momento em relação a quem eu era alguns anos antes. Relatei como me sentia ao ler minhas próprias palavras, escritas há tanto tempo e por alguém que achava difícil reconhecer como eu mesma, apesar da parte de mim que permanecia estável, imutável - a essência. Hoje, mais algum tempo depois, volto meu foco nesse ponto - o quanto ainda sou a mesma. Não importa quantas coisas mudem na minha vida - e como mudaram! - continuo com os mesmos sentimentos. Continuo me sentindo perdida nesse mundo, sem saber realmente o que estou fazendo aqui ou o que devo fazer (se é que devo fazer alguma coisa). Continuo sentindo esse cansaço de viver, como se estivesse fazendo as coisas erradas, como se faltasse algo e todo o resto simplesmente não valesse a pena. Essa sensação de estar deixando passar alguma coisa, de não estar vivendo do jeito certo, ainda que não tenha certeza se há um jeito "certo". Lendo e relendo meus textos, percebo agora há quanto tempo esse sentimento me acompanha. Essa necessidade de compreender e de realizar que nunca é suprida, não importa o que eu faça ou as conquistas que eu tenha, nunca é suficiente. Essa incessante busca por algo que não sei o que é - felicidade? Mas como poderia achar uma coisa que, temo, nunca tive realmente? Claro que não tenho uma vida miserável, tenho conforto e privilégios maiores do que, provavelmente, pelo menos metade da população mundial. Sem dúvidas que já tive também milhares de momentos alegres, vitórias, diversão, prazer, ao longo dessa vida. Só que, ainda assim, se alguém me fizesse a simples pergunta "Você é feliz?", minha resposta bem honesta seria "Não". Porque é assim que me sinto (ou não sinto rs). E eu não sei dizer o motivo. Talvez não haja nenhum motivo lógico ou perceptível mesmo. Mas é a verdade. Às vezes eu sinto alegria, me divirto, dou risadas, canto, danço e fico em paz. Me entusiasmo com certas coisas, fico contente, tranquila. Mas se paro para pensar na minha vida, não sinto felicidade. Não acordo satisfeita com a vida que eu levo, o que eu faço, quem eu sou. Sempre falta algo. Hoje, falta meu pai, independência, espaço, privacidade, liberdade... Tanta coisa! Vivo sufocada pelas coisas que tenho e não pedi e padeço pelas coisas que desejo e não tenho. Sei que sou uma ingrata. Sei que Deus já me deu tanto. E não penso realmente que tenho pouco ou menos do que eu mereço, mas sinto! E como sinto! Sinto falta.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Auto-Reconhecimento

Aqui estou: tentando reencontrar aquela menina que existia em 2011. Reativando esse meio de expressão, com o qual não me familiarizo mais tanto assim. Me causa estranhamento. Me dá, também, uma pontada forte de nostalgia, que vem como um golpe rápido, introduzindo em mim uma onda revolta daquela realidade. Pareço estar tão distante daquilo, como se não fosse eu a personagem principal daqueles acontecimentos. Repentinamente, uma sensação estranha me consome: virei espectadora de mim. Ao passo que meus olhos vão rolando por cada linha, me vem à tona milhares de flashes. São lembranças de todo tipo - imagens, cheiros, vozes, sons e toda ordem de sentimentos. Dizem que é assim o processo de regressão às outras vidas e é exatamente desse jeito que eu me sinto, como se internasse sentimentos pertencentes a outro "eu", alguém parecido comigo, mas diverso de quem sou agora. É a tal mudança, a maturidade que chega para todos? A questão é que ler esse blog é como rever um amigo que não encontrava há anos. É, aos poucos, ir reconhecendo aquela pessoa que ficou no passado, cujas características da personalidade são meras sombras de memória, que não se materializam de forma clara em sua mente. Mas, ainda assim, também é um pouco diferente disso. Diferente porque é você. Diferente porque há coisas sobre você que nunca mudam. Sentimentos. Maneira de olhar o outro (seja esse outro quem for). Desejos íntimos. Essência. Segredos. Amores e modo de amar. As coisas mais verdadeiras que existem dentro de alguém. E é muito interessante descobrir essa parte imutável. Talvez até, muito importante. Seria isto um instrumento útil para compreender a própria identidade? Um modo de finalizar essa busca incessante que, para muitos, pode durar toda uma existência?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dammit, I changed again.

 A certeza não é constante, é fluída e viscosa. Escorrega por entre os dedos daqueles que pensam a possuir. Só pensam. 
 Um bom exemplo é aquela menina frustrada, no parapeito da janela. Uma vez fora tão certa da vida, do seu futuro e de tudo o que desejava. Agora já não sabe mais nada, não tem uma certeza sequer. Todas as noites ela se perde em angústias tentando agarrar-se a uma, e assim prosseguem-se inúmeras tentativas inúteis, inúmeras noites solitárias. 
 Pobre moça, não sabe deste fato consumado. Repito: A certeza é um sentimento falho. Na verdade, é volátil. Só existe por alguns contáveis instantes, não mais que isso. Você tem certeza absoluta, absolutíssima, sobre algo, até o momento que muda de idéia. Inocente menina, tinha tanta certeza, e agora está tão perdida. Seu sofrimento é visível. E, para tentar fugir dele, busca se agarrar numa corda. Pensa que, segurando-se nela, com muita força, vencerá os ventos que sopram o grande acaso que é a vida. No entanto, essa corda é construída de fios muito frágeis. Ela está, indubitavelmente, fadada a partir. Tic tac, tic tac, tic tac... 

Acorde, Menina! Acorde enquanto há tempo! 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Naturalidade

Se fosse possível morrer de saudade, meu cadáver putrefado já estaria abaixo dos sete palmos, jazindo sozinho e inerte, corpo sem ânimo - que não é um privilégio dos seres mortos. Minha alegria, ou minhas alegrias, são espaços curtos de tempo, limitados e infrequentes. Vivo de desejar pelo próximo reencontro. Ainda assim, reconheço a beleza dessas terras, mesmo a anseiar por outras que se encontram tão distantes. Consigo enxergar a felicidade que aqui mora, apesar de não poder alcançá-la totalmente, apenas tateá-la por pequenos instantes. Sinto falta do sabor do mar, da inconstãncia e paz dos oceanos. Mas aqui também tem litoral, então porque o engano? Falta-me as circunstâncias, as companhias, as confidências... Aqui é preciso lutar um pouco mais sozinha, o que traz coragem e independência, porém faz surgir de imediato um quê de insegurança e angústia, solidão. E existe uma rua daqui de Itabuna que me lembra tanto à uma parte específica do Imbuí... É a rua onde fica um dos dois pontos nos quais posso pegar o ônibus para a universidade. Mas sempre acabo preferindo o outro, acho que dói demais. Engraçado: os mínimos detalhes não passam despercebidos em paisagens tão divergentes e, contudo, ainda é possível enxergar semelhanças, acho que é o coração quem as enxerga como num grito: quero voltar pra casa.






Mas aqui é bom também... Lugares são como pessoas, cada um do seu jeito. E existem muitos jeitos bons.

sexta-feira, 18 de março de 2011

São só palavras.

Então por que não dizê-las, hein? . . . Mas você tem que saber, como pode não saber? Como pode não sentir isso dentro de você? O mundo não é mais o mesmo, e você sabe sim. Eu ainda sou a mesma, apesar de tudo que mudou em mim (mas não mudou a mim). E todos esses sentimentos ainda estão soltos por aí e, de vez em quando, me pagam uma visita. Eles gostam mais de mim do que eu deles, pelo visto. Mas não vou negar que também não me apego e busco por eles. Não é proposital, mas é fato. E você só piora tudo, tudo mesmo. As coisas vão acontecendo e eu fico assim, fora da realidade. Não queria estar tão excluída do presente, mas estou. Estou completamente presa dentro de pensamentos vagos, que não me deixam nunca, nem quando deveriam. A vida segue e eu fico pra trás. Furtaram o meu ritmo e não consigo mais acompanhar essa dança.

Nadanão

Não consigo, não posso, não me deixam, me seguram, me impedem, me levam..
E eu, no meio disso tudo? Não faço nada? Não, eu faço sim.
Eu não deixo, eu me livro e fico livre. De tudo. E voo, vou voando para longe, para um lugar onde eu possa me ser, estando mais que solta, mais que liberta, estando em paz.
Eu gosto da verdade, gosto de senti-la e dizê-la... Também gosto de ouvir, é doloroso, mas dá uma sensação boa de descoberta depois, de "ah, é? hum...". É bom, porque assim posso ter o controle dela, posso agir em face dela, em prol dela e ao lado dela. Mas às vezes é muito díficil dizer, às vezes não. Ás vezes é tão fácil que ela lhe escapa por entre os lábios de forma súbita. Às vezes é tão difícil que fica presa entre os dentes, ou empacada na garganta. Tem coisas que precisam ser ditas, mas esse dizer implica audácia. A questão é que audácia é algo que só se apresenta em mim para fins específicos e para outros não. Sim, para outros não, e isso é um problema enorme. Um problema enorme para nós, D.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vida num Liquidificador.

De repente.. BUM! Tudo ao mesmo tempo agora, pressa, turbilhão... e nada de parar pra pensar.
É preciso agir rápido, as coisas vão acontecendo numa velocidade incrível.. ocorre uma reviravolta daquelas e BUM! Não tem tempo pra digerir, degustar... O sabor da vitória, a tristeza das perdas, do adeus próximo... absolutamente nada. E então, com muita calma... lerda, contrariando todo o resto, aparece a lampadazinha ao lado da cabeça... e a ficha cai. Um minuto de silêncio, para internalizar a realidade recentemente descoberta.. ou percebida. Adaptação é a palavra-chave, criar o hábito da comunização do fato, ir se acostumando... É isso, já ta tudo certo e encaminhado e pronto. O que tiver que ser, será e vamo que vamo!

Pena não ser fácil assim.