quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Decisão à prova de balas.

Queria ter. Não tenho, não. Aquela decisão infalível, que meus olhos vêem, mas não acreditam. Ou melhor, até acreditam sim - só não viva em mim, não realizada por mim. É só que me parece tão improvável, e só não impossível porque já me deparei com ela, a maldita. Qual a razão da ilusão de sua inalcançabilidade apenas por tantos? É privilégio de alguns possuí-la, e de menos ainda dominá-la completamente. Às vezes ela aparece em algumas situações, geralmente ligadas ao desespero, para certas pessoas - acho que se configura no meu caso. Tem outras, que passam a vida numa desesperança constante e nunca a deslumbram. Mas os privilegiados - ah, os privilegiados! - esses a controlam todos os dias, a encaminham para seus interesses e objetivos, e acabam conseguindo tudo o que desejam, pelo esforço dela advindo. Incrível! Queria eu ter a bendita cuja... Quem sabe um dia? Continuarei a busca, espero que a encontre logo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Freaking Out

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!
Eu to com medo de crescer.
Eu to com medo de falhar.
Eu to com medo de mim mesma se eu falhar.
Eu to com medo de não ser boa o suficiente em nada e isso é até bem possível.
Eu to com medo de continuar a ser exatamente quem eu sou,
não mudar nem um pouquinho pra melhor.
Eu to com medo de não ser A melhor em alguma coisa.
Eu tenho a necessidade de me destacar, todo mundo tem e eu não sou hipócrita e admito.
Eu quero, eu PRECISO passar no maldito vestibular, porque eu to com medo de como eu vou ficar se isso não acontecer, eu não sei como ( e se) vou suportar a maior decepção da minha vida.
Eu to com medo de não conseguir o que eu sempre mais quis e preciso na minha existência: ser independente, e o mais rápido possível.

PU-TA QUE PA-RIU! EU QUE-RO QUE IS-SO A-CA-BE LO-GO! GRRRRRRRRRRR!

Porque as coisas não podem simplesmente acontecer do jeito que eu PRECISO que elas aconteçam?????????!!!!!

I'M SO FREAKED OUT, FREAKING SCARED!!!!!! I just can't stop it.

Nossa, eu preciso mesmo de um suco de maracujá.

Pequenos atos deploráveis.

É assim que começa os grandes feitos: pequenas atitudes, aparentemente mínimas. Você passa a transgredir o sistema sem nem perceber, você não se dá conta de que é exatamente isso que está fazendo. Inicia-se progressivamente. Hoje uma pequena setença inverossímil, amanhã uma omissão premiada com um benefício próprio. E então abrem-se as asas da liberdade sem regras. Qual o limite disso? Será que ele existe? Talvez quem entre por esse labirinto se perca e não saiba voltar. Quem vai saber se Ariadne estará segurando a ponta da corda na saída, dessa vez? As coisas às vezes acontecem com uma velocidade inacreditátel, especialmente as coisas intensas. O mundo gira cada vez mais rápido e assim, veloz, é difícil parar. É difícil voltar atrás, então nada adianta se arrepender. O primeiro de tais atos é sempre furtivo. Traz aquela sensação indefinível ao pé do estômago, uma espécie de contração involuntária - ansiedade. A mais importante das emoções no entanto é o sentimento de poder. Esse sim, perigosíssimo, é o que leva à reincidência, substância aditiva. E as decisões de cada indivíduo vão se mostrando cada vez mais definitivas. No início, a consciência vem tirar satisfações. É o sistema aplicando a influência que tem sobre seu cerébro. E aí vem a culpa mental que às vezes acompanha a física - respiração prolongada pra recuperar o ritmo do coração acelerado, enxuga-se a mão suada na calça jeans, olha pros lados a garantir a privacidade da culpa, e já está pronto para a próxima. E daqui em diante, será no automático. Tão comum que nem saberá a diferença. Não, não fará a miníma idéia do que já lhe pareceu errado um dia. É só a sua rotina agora, o seu contexto defasado. Boa sorte, você vai precisar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Virtude máxima de um ser.

A virtude máxima do ser está na resposta que sua alma desperta em outras. Não está nele. Ela sequer existe. Apenas co-existe enquanto vive quem lhe enxerga esta virtude. Utópicamente infalível, ela atrai. Não há resposta para a pergunta inquietante. Porquê? Porquê o faz? Ele nem sabe, não faz idéia. Surge espontâneamente e o ser não a nota então, nem jamais o fará. Por mais que ela cresça, não o fará. Ignora-a, pois não está realmente presente. Apenas os despertos, os sensibilizados por essa qualidade indefinível a sentem. E até esses não sabem explicar. É algo tão incrivelmente belo e inacreditável que é guardado e escondido. Não se tem coragem de mostrá-la ao mundo, este não entenderia. Também esta dificilmente seria declarada, materializada. Seria preciso a mais nobre das bravuras, aquela independente de contexto, de situação, que acompanha muito poucos seres em vida. E é devido às conseqüências que isso traria: uma possível morte do que é mais puro, a decepção incurável - nem todos os indivíduos estão prontos para a profundidade que tal virtude propõe. Às vezes, ela nem é tão forte, apenas impele um cativamento passageiro. Outras vezes desperta o mais avassalador tornado das emoções. Tal virtude, qual seria? Sinceramente, nunca vi expressa em palavras. Mas digo uma coisa apenas: Quem a tem, não sabe. Quem a sente, já descobriu qual é.

Sob as patas do Corcel

Fulguras diante mim
Como no fim de tarde o faz ao céu
A estrela d'alva única e esplendorosa

Embebe-se assim
Frente ao meu duvidoso carrossel
Da paz em trânsito morosa

Digna-se afim
De evitar o atropelo do corcel
Por sobre minh'alma ditosa

Vivei-me, oh sim
distorce-me e ameniza o fel
Da caminhada escabrosa

Desfazes o brim
Que me cobre de réu
me exaure da menos duvidosa,
escolha.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu me drogo de ilusões.

Passei tanto tempo imaginando que agora tenho receio de concretizar. É bem provável que a realidade não corresponda às minhas expectativas e isso vai doer mais do que a dúvida. Será? Talvez não queira descobrir, para isso teria que me arriscar e não sinto a segurança necessária para fazê-lo, agora. O ideal não se tornará maciço, nem tocável ou sequer tangível. Mas me consome, como me consome, viajar pelos caminhos que poderiam ter me levado à outros lugares, mesmo sem ter a certeza se esses seriam melhores ou piores do que aquele no qual agora me encontro. O provável mesmo é que eu permaneça. Como aguentar a perda daquilo que me sustentou por tantos anos? Que me ligou ao que eu já fui um dia e não me deixou esquecer? É mais do que a sua individualidade, é a sua capacidade de, como uma cola, estabelecer-me os vínculos com meu passado, notório e feliz. A habilidade inata de juntar as peças do quebra-cabeça de nome eu. Não posso ter-te pois não posso deixar-te ir. Não posso fazer essa troca, uma alma por um coração.