Um bumerangue sem fim. É assim que é. Tempos e tempos passam, e nada. Não dá o ar da graça em mim. Eu me envolvo com tudo ao meu redor e nem a vaga lembrança, nem o vago som ou lugar que sempre traziam-me recordações, me trazem dessa vez. Fico assim, não tão longe ou tão fria, mas o êxtase já não se reproduz mais. E assim se dá por longos meses (ou anos?). Eu penso às vezes não ter merecimento o meu importar-se. Se não foi de verdade, se não passara de longínquos e fardos pensamentos, que cá hoje já são memórias - porém não são apenas...
E de repente, o turbilhão. A angústia e o arrependimento, e por fim, a curiosidade. Ah! Curiosidade que me estrangula aos poucos, que me aperta a alma e faz dela um mar revolto de desilusões! Coragem me faltou e veio o tempo esmagar, primeiro, a oportunidade, depois, as poucas divagações - o resto que sobrou do tudo que nada foi.
Porque sou assim e não menos imaginativa? Por que razão se deve esse meu ponderar incessante sobre um mal que não tem cura? Um feito - ou não-feito - que não tem resgate... Mas é dessa forma confusa que convivo com minhas dúvidas: espanto-as para o mais longe possível, tento escondê-las, tento esquecê-las, sumir com elas, e elas voltam. Voltam pra assombrar a minha relativa paz de espírito, a minha conformação.
Eu já estava conformada, sim. De que não foi porque não era pra ser. De que nunca nem sequer existiram chances pra ser. Impossível, eu já sabia que era desde a primeira vez que cogitei a sua realização. Não surgiu para ser realizado e sim para doer, e ser esquecido. A meta a ser alcançada assim será, disso depende o futuro de coisas mais dignas e mais prováveis. E eu sinto esse dia próximo, apesar de agora, exatamente agora, me parecer mais longe, mais penoso, mais inútil e mais incontrolável do que nunca - é que dizem que o ponto mais escuro da noite é logo antes do primeiro raio de luz chegar. Acredito, porque é uma dívida que tenho comigo mesma.
Ai, que triste fiquei.
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