sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dammit, I changed again.

 A certeza não é constante, é fluída e viscosa. Escorrega por entre os dedos daqueles que pensam a possuir. Só pensam. 
 Um bom exemplo é aquela menina frustrada, no parapeito da janela. Uma vez fora tão certa da vida, do seu futuro e de tudo o que desejava. Agora já não sabe mais nada, não tem uma certeza sequer. Todas as noites ela se perde em angústias tentando agarrar-se a uma, e assim prosseguem-se inúmeras tentativas inúteis, inúmeras noites solitárias. 
 Pobre moça, não sabe deste fato consumado. Repito: A certeza é um sentimento falho. Na verdade, é volátil. Só existe por alguns contáveis instantes, não mais que isso. Você tem certeza absoluta, absolutíssima, sobre algo, até o momento que muda de idéia. Inocente menina, tinha tanta certeza, e agora está tão perdida. Seu sofrimento é visível. E, para tentar fugir dele, busca se agarrar numa corda. Pensa que, segurando-se nela, com muita força, vencerá os ventos que sopram o grande acaso que é a vida. No entanto, essa corda é construída de fios muito frágeis. Ela está, indubitavelmente, fadada a partir. Tic tac, tic tac, tic tac... 

Acorde, Menina! Acorde enquanto há tempo! 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Naturalidade

Se fosse possível morrer de saudade, meu cadáver putrefado já estaria abaixo dos sete palmos, jazindo sozinho e inerte, corpo sem ânimo - que não é um privilégio dos seres mortos. Minha alegria, ou minhas alegrias, são espaços curtos de tempo, limitados e infrequentes. Vivo de desejar pelo próximo reencontro. Ainda assim, reconheço a beleza dessas terras, mesmo a anseiar por outras que se encontram tão distantes. Consigo enxergar a felicidade que aqui mora, apesar de não poder alcançá-la totalmente, apenas tateá-la por pequenos instantes. Sinto falta do sabor do mar, da inconstãncia e paz dos oceanos. Mas aqui também tem litoral, então porque o engano? Falta-me as circunstâncias, as companhias, as confidências... Aqui é preciso lutar um pouco mais sozinha, o que traz coragem e independência, porém faz surgir de imediato um quê de insegurança e angústia, solidão. E existe uma rua daqui de Itabuna que me lembra tanto à uma parte específica do Imbuí... É a rua onde fica um dos dois pontos nos quais posso pegar o ônibus para a universidade. Mas sempre acabo preferindo o outro, acho que dói demais. Engraçado: os mínimos detalhes não passam despercebidos em paisagens tão divergentes e, contudo, ainda é possível enxergar semelhanças, acho que é o coração quem as enxerga como num grito: quero voltar pra casa.






Mas aqui é bom também... Lugares são como pessoas, cada um do seu jeito. E existem muitos jeitos bons.

sexta-feira, 18 de março de 2011

São só palavras.

Então por que não dizê-las, hein? . . . Mas você tem que saber, como pode não saber? Como pode não sentir isso dentro de você? O mundo não é mais o mesmo, e você sabe sim. Eu ainda sou a mesma, apesar de tudo que mudou em mim (mas não mudou a mim). E todos esses sentimentos ainda estão soltos por aí e, de vez em quando, me pagam uma visita. Eles gostam mais de mim do que eu deles, pelo visto. Mas não vou negar que também não me apego e busco por eles. Não é proposital, mas é fato. E você só piora tudo, tudo mesmo. As coisas vão acontecendo e eu fico assim, fora da realidade. Não queria estar tão excluída do presente, mas estou. Estou completamente presa dentro de pensamentos vagos, que não me deixam nunca, nem quando deveriam. A vida segue e eu fico pra trás. Furtaram o meu ritmo e não consigo mais acompanhar essa dança.

Nadanão

Não consigo, não posso, não me deixam, me seguram, me impedem, me levam..
E eu, no meio disso tudo? Não faço nada? Não, eu faço sim.
Eu não deixo, eu me livro e fico livre. De tudo. E voo, vou voando para longe, para um lugar onde eu possa me ser, estando mais que solta, mais que liberta, estando em paz.
Eu gosto da verdade, gosto de senti-la e dizê-la... Também gosto de ouvir, é doloroso, mas dá uma sensação boa de descoberta depois, de "ah, é? hum...". É bom, porque assim posso ter o controle dela, posso agir em face dela, em prol dela e ao lado dela. Mas às vezes é muito díficil dizer, às vezes não. Ás vezes é tão fácil que ela lhe escapa por entre os lábios de forma súbita. Às vezes é tão difícil que fica presa entre os dentes, ou empacada na garganta. Tem coisas que precisam ser ditas, mas esse dizer implica audácia. A questão é que audácia é algo que só se apresenta em mim para fins específicos e para outros não. Sim, para outros não, e isso é um problema enorme. Um problema enorme para nós, D.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vida num Liquidificador.

De repente.. BUM! Tudo ao mesmo tempo agora, pressa, turbilhão... e nada de parar pra pensar.
É preciso agir rápido, as coisas vão acontecendo numa velocidade incrível.. ocorre uma reviravolta daquelas e BUM! Não tem tempo pra digerir, degustar... O sabor da vitória, a tristeza das perdas, do adeus próximo... absolutamente nada. E então, com muita calma... lerda, contrariando todo o resto, aparece a lampadazinha ao lado da cabeça... e a ficha cai. Um minuto de silêncio, para internalizar a realidade recentemente descoberta.. ou percebida. Adaptação é a palavra-chave, criar o hábito da comunização do fato, ir se acostumando... É isso, já ta tudo certo e encaminhado e pronto. O que tiver que ser, será e vamo que vamo!

Pena não ser fácil assim.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Abram as asas dos Versos!

Quero estrofes tortas, incorretas,
fazer o que eu bem entender delas
Quero que as frases não rimem
E corram soltas pelos campos limpos!

Os versos podem ser simples
E podem também não ser!
Que eles se atirem no abismo
E ponham suas asas a bater!

Que uma parte combine
E a outra se perca do ritmo
As setenças não precisam fazer sentido
Para cada ser que a interprete

Fico a imaginar os risos de uma criança
Ao ler palavras sem pé, nem cabeça
E imagino os irônicos sorrisos
Do poeta certinho de Letras

Não sou poêmica profissional
Também não crio polêmica
E muito menos tendências

Só quero escrever sem igual
Fazer dos meus versos um dilema
E deixà-los livres para voar...
Pelo mundo de paisagens desconhecidas
E visões, mais inimagináveis ainda.

Que flutuem as palavras pelas imensidões do Planeta!
E pelas imensidões dos pensamentos humanos!

Querido Garoto D, Homem D.

Você mudou, e como mudou.
Eu te olhava, e era só um menino... meio caladão, um pouco misterioso. Eu achava estranho. Ficava curiosa sobre essa personalidade que tanto se escondia... ainda fico. Não havia sentimento, havia inquietação, um estranhamento que despertava a vontade de entender... você.
Sempre quis te entender, e até hoje isso é tão dificil pra mim... A diferença é que antes era por simples curiosidade e agora se tornou essa necessidade incessante que me transtorna o cotidiano.
Tantas vezes me falaram dos seus méritos, insucessos, vitórias... mas nunca, nunca nada do que ouvi pôde me aproximar da descoberta ansiada por mim: Quem é você, afinal? Qual o seu jeito, os seus gostos? E porquê uma pessoa gosta tanto de se esconder?
Queria conhecer os seus sentimentos, saber se é recíproca essa ligação estranha que sinto...
Não uma emoção afetiva qualquer, é como se tivesse um traço forte de destino, um laço forte de coincidências... coincidências demais, que sempre me levam ao seu encontro. Repentinamente, lá está você... bem na minha frente! Qual o significado disso? É uma amizade que precisa nascer daí? Uma paixão? Um amor pra vida inteira? Ou você é só alguém que eu preciso encontrar e reencontrar, por algum motivo desconhecido e pronto? O fato é que você me deixa confusa... que seus atos me são ininterpretáveis. Mas quando eu menos espero, eu dou de cara com mais um deles... e continuo sem entender.
Você enfim se tornou um homem, mais forte, mais decidido, determinado... ativo. Mas ainda enxergo o mesmo menino menos musculoso e menos confiante. Você pode ter se esquecido dele, não eu. Por mais que tente parecer justamente o oposto, alguém já crescido, maduro e cheio de iniciativas, sempre terá o menino tímido nas suas entranhas e o mesmo ar de mistério que me fez tentar te compreender pela primeira vez, e sempre fará.

Atenciosamente,


Uma amiga.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Genes Infalíveis.

As pequenas bolsas dos olhos, a boca e o nariz.. tudo tão familiar e facilmente reconhecível. Sempre com o livro na mão.. Mas, ei.. Espera aí, eu conheço esse livro!
A mesma alergia... a perninha toda empolada por causa dos mosquitos.
Uma timidez no início e depois desanda-se a falar: pode-se dizer sobre ambas as partes, dois falsos tímidos.
E aquela coisa de ficar andando de um lado pro outro... exatamente igual.
Mas então chega a hora da despedida:

Ele desce timidamente do carro, olha pra trás.
Ela não entende nada, olha em direção ao motorista: "Ele vai embora amanhã.", ele diz.
Ela compreende tudo muito devagar.. "Porque é só agora que me avisa?", pensa.
Precisa descer do carro, dizer alguma coisa para os olhos ansiosos que ainda a observam.
Sai do carro. É a hora da despedida, entende finalmente.

Leva-o até o portão... e tenta pensar no que dizer. Há tanto para dizer...

- Hm... então.. tchau! Até o meio do ano, talvez.

- Ah.. é. Meio do ano, é? Venha mesmo...

- Aham..

- Dá um abraço?

Sorriso. Se abraçam forte e rapidamente.

Mas parece que a despedida seria adiada, para a alegria dos dois.
Ela o acompanha ao aeroporto, no dia seguinte.

Estão sentados no banco, próximos ao check-in.
Ela lê uma revista. Ele, um gibi.
Se entreolham, de vez em quando. Ou têm uma conversa rápida sobre algo divertido.
Riem um pouco, se impacientam. Esperam...
Chega a hora. Caminham juntos ao portão de embarque. Após algumas piadas sobre o imenso crachá que ele precisa pendurar no pescoço, e de todas as normas para segurança em aviões, ele tem de ir.
Ela aguarda sua vez de abraçá-lo. Se pega pensando de novo no que dizer...
Ele se vira para ela, meio esperançoso e sem saber o que fazer... Sorri. Um sorriso sincero e um pouco tímido..
Ela ganha coragem, e escancara os braços, bem sorridente.

Se abraçam mais longamente do que no dia anterior: "Tchau!", "Tchau..."- dizem os dois, com certa cumplicidade.

Ele atravessa o portão de embarque, sempre olhando pra trás e dando adeusinhos com as mãos.
Ela, sorrindo, continua olhando através do vidro, esperando que ele olhe mais uma vez... Mas ele já segue em frente.

"Eu te amo..." diz para si mesma, baixinho...

E então anda em silêncio durante o trajeto até o carro, no estacionamento.
Se encolhe no banco do carona, esperando chegar logo em casa.
E chora, silenciosamente.