quinta-feira, 14 de setembro de 2017

FALTA

A última vez que escrevi aqui foi há 3 anos. Falava sobre mudanças e o quanto acreditava estar diferente naquele momento em relação a quem eu era alguns anos antes. Relatei como me sentia ao ler minhas próprias palavras, escritas há tanto tempo e por alguém que achava difícil reconhecer como eu mesma, apesar da parte de mim que permanecia estável, imutável - a essência. Hoje, mais algum tempo depois, volto meu foco nesse ponto - o quanto ainda sou a mesma. Não importa quantas coisas mudem na minha vida - e como mudaram! - continuo com os mesmos sentimentos. Continuo me sentindo perdida nesse mundo, sem saber realmente o que estou fazendo aqui ou o que devo fazer (se é que devo fazer alguma coisa). Continuo sentindo esse cansaço de viver, como se estivesse fazendo as coisas erradas, como se faltasse algo e todo o resto simplesmente não valesse a pena. Essa sensação de estar deixando passar alguma coisa, de não estar vivendo do jeito certo, ainda que não tenha certeza se há um jeito "certo". Lendo e relendo meus textos, percebo agora há quanto tempo esse sentimento me acompanha. Essa necessidade de compreender e de realizar que nunca é suprida, não importa o que eu faça ou as conquistas que eu tenha, nunca é suficiente. Essa incessante busca por algo que não sei o que é - felicidade? Mas como poderia achar uma coisa que, temo, nunca tive realmente? Claro que não tenho uma vida miserável, tenho conforto e privilégios maiores do que, provavelmente, pelo menos metade da população mundial. Sem dúvidas que já tive também milhares de momentos alegres, vitórias, diversão, prazer, ao longo dessa vida. Só que, ainda assim, se alguém me fizesse a simples pergunta "Você é feliz?", minha resposta bem honesta seria "Não". Porque é assim que me sinto (ou não sinto rs). E eu não sei dizer o motivo. Talvez não haja nenhum motivo lógico ou perceptível mesmo. Mas é a verdade. Às vezes eu sinto alegria, me divirto, dou risadas, canto, danço e fico em paz. Me entusiasmo com certas coisas, fico contente, tranquila. Mas se paro para pensar na minha vida, não sinto felicidade. Não acordo satisfeita com a vida que eu levo, o que eu faço, quem eu sou. Sempre falta algo. Hoje, falta meu pai, independência, espaço, privacidade, liberdade... Tanta coisa! Vivo sufocada pelas coisas que tenho e não pedi e padeço pelas coisas que desejo e não tenho. Sei que sou uma ingrata. Sei que Deus já me deu tanto. E não penso realmente que tenho pouco ou menos do que eu mereço, mas sinto! E como sinto! Sinto falta.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Auto-Reconhecimento

Aqui estou: tentando reencontrar aquela menina que existia em 2011. Reativando esse meio de expressão, com o qual não me familiarizo mais tanto assim. Me causa estranhamento. Me dá, também, uma pontada forte de nostalgia, que vem como um golpe rápido, introduzindo em mim uma onda revolta daquela realidade. Pareço estar tão distante daquilo, como se não fosse eu a personagem principal daqueles acontecimentos. Repentinamente, uma sensação estranha me consome: virei espectadora de mim. Ao passo que meus olhos vão rolando por cada linha, me vem à tona milhares de flashes. São lembranças de todo tipo - imagens, cheiros, vozes, sons e toda ordem de sentimentos. Dizem que é assim o processo de regressão às outras vidas e é exatamente desse jeito que eu me sinto, como se internasse sentimentos pertencentes a outro "eu", alguém parecido comigo, mas diverso de quem sou agora. É a tal mudança, a maturidade que chega para todos? A questão é que ler esse blog é como rever um amigo que não encontrava há anos. É, aos poucos, ir reconhecendo aquela pessoa que ficou no passado, cujas características da personalidade são meras sombras de memória, que não se materializam de forma clara em sua mente. Mas, ainda assim, também é um pouco diferente disso. Diferente porque é você. Diferente porque há coisas sobre você que nunca mudam. Sentimentos. Maneira de olhar o outro (seja esse outro quem for). Desejos íntimos. Essência. Segredos. Amores e modo de amar. As coisas mais verdadeiras que existem dentro de alguém. E é muito interessante descobrir essa parte imutável. Talvez até, muito importante. Seria isto um instrumento útil para compreender a própria identidade? Um modo de finalizar essa busca incessante que, para muitos, pode durar toda uma existência?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dammit, I changed again.

 A certeza não é constante, é fluída e viscosa. Escorrega por entre os dedos daqueles que pensam a possuir. Só pensam. 
 Um bom exemplo é aquela menina frustrada, no parapeito da janela. Uma vez fora tão certa da vida, do seu futuro e de tudo o que desejava. Agora já não sabe mais nada, não tem uma certeza sequer. Todas as noites ela se perde em angústias tentando agarrar-se a uma, e assim prosseguem-se inúmeras tentativas inúteis, inúmeras noites solitárias. 
 Pobre moça, não sabe deste fato consumado. Repito: A certeza é um sentimento falho. Na verdade, é volátil. Só existe por alguns contáveis instantes, não mais que isso. Você tem certeza absoluta, absolutíssima, sobre algo, até o momento que muda de idéia. Inocente menina, tinha tanta certeza, e agora está tão perdida. Seu sofrimento é visível. E, para tentar fugir dele, busca se agarrar numa corda. Pensa que, segurando-se nela, com muita força, vencerá os ventos que sopram o grande acaso que é a vida. No entanto, essa corda é construída de fios muito frágeis. Ela está, indubitavelmente, fadada a partir. Tic tac, tic tac, tic tac... 

Acorde, Menina! Acorde enquanto há tempo! 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Naturalidade

Se fosse possível morrer de saudade, meu cadáver putrefado já estaria abaixo dos sete palmos, jazindo sozinho e inerte, corpo sem ânimo - que não é um privilégio dos seres mortos. Minha alegria, ou minhas alegrias, são espaços curtos de tempo, limitados e infrequentes. Vivo de desejar pelo próximo reencontro. Ainda assim, reconheço a beleza dessas terras, mesmo a anseiar por outras que se encontram tão distantes. Consigo enxergar a felicidade que aqui mora, apesar de não poder alcançá-la totalmente, apenas tateá-la por pequenos instantes. Sinto falta do sabor do mar, da inconstãncia e paz dos oceanos. Mas aqui também tem litoral, então porque o engano? Falta-me as circunstâncias, as companhias, as confidências... Aqui é preciso lutar um pouco mais sozinha, o que traz coragem e independência, porém faz surgir de imediato um quê de insegurança e angústia, solidão. E existe uma rua daqui de Itabuna que me lembra tanto à uma parte específica do Imbuí... É a rua onde fica um dos dois pontos nos quais posso pegar o ônibus para a universidade. Mas sempre acabo preferindo o outro, acho que dói demais. Engraçado: os mínimos detalhes não passam despercebidos em paisagens tão divergentes e, contudo, ainda é possível enxergar semelhanças, acho que é o coração quem as enxerga como num grito: quero voltar pra casa.






Mas aqui é bom também... Lugares são como pessoas, cada um do seu jeito. E existem muitos jeitos bons.

sexta-feira, 18 de março de 2011

São só palavras.

Então por que não dizê-las, hein? . . . Mas você tem que saber, como pode não saber? Como pode não sentir isso dentro de você? O mundo não é mais o mesmo, e você sabe sim. Eu ainda sou a mesma, apesar de tudo que mudou em mim (mas não mudou a mim). E todos esses sentimentos ainda estão soltos por aí e, de vez em quando, me pagam uma visita. Eles gostam mais de mim do que eu deles, pelo visto. Mas não vou negar que também não me apego e busco por eles. Não é proposital, mas é fato. E você só piora tudo, tudo mesmo. As coisas vão acontecendo e eu fico assim, fora da realidade. Não queria estar tão excluída do presente, mas estou. Estou completamente presa dentro de pensamentos vagos, que não me deixam nunca, nem quando deveriam. A vida segue e eu fico pra trás. Furtaram o meu ritmo e não consigo mais acompanhar essa dança.

Nadanão

Não consigo, não posso, não me deixam, me seguram, me impedem, me levam..
E eu, no meio disso tudo? Não faço nada? Não, eu faço sim.
Eu não deixo, eu me livro e fico livre. De tudo. E voo, vou voando para longe, para um lugar onde eu possa me ser, estando mais que solta, mais que liberta, estando em paz.
Eu gosto da verdade, gosto de senti-la e dizê-la... Também gosto de ouvir, é doloroso, mas dá uma sensação boa de descoberta depois, de "ah, é? hum...". É bom, porque assim posso ter o controle dela, posso agir em face dela, em prol dela e ao lado dela. Mas às vezes é muito díficil dizer, às vezes não. Ás vezes é tão fácil que ela lhe escapa por entre os lábios de forma súbita. Às vezes é tão difícil que fica presa entre os dentes, ou empacada na garganta. Tem coisas que precisam ser ditas, mas esse dizer implica audácia. A questão é que audácia é algo que só se apresenta em mim para fins específicos e para outros não. Sim, para outros não, e isso é um problema enorme. Um problema enorme para nós, D.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vida num Liquidificador.

De repente.. BUM! Tudo ao mesmo tempo agora, pressa, turbilhão... e nada de parar pra pensar.
É preciso agir rápido, as coisas vão acontecendo numa velocidade incrível.. ocorre uma reviravolta daquelas e BUM! Não tem tempo pra digerir, degustar... O sabor da vitória, a tristeza das perdas, do adeus próximo... absolutamente nada. E então, com muita calma... lerda, contrariando todo o resto, aparece a lampadazinha ao lado da cabeça... e a ficha cai. Um minuto de silêncio, para internalizar a realidade recentemente descoberta.. ou percebida. Adaptação é a palavra-chave, criar o hábito da comunização do fato, ir se acostumando... É isso, já ta tudo certo e encaminhado e pronto. O que tiver que ser, será e vamo que vamo!

Pena não ser fácil assim.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Abram as asas dos Versos!

Quero estrofes tortas, incorretas,
fazer o que eu bem entender delas
Quero que as frases não rimem
E corram soltas pelos campos limpos!

Os versos podem ser simples
E podem também não ser!
Que eles se atirem no abismo
E ponham suas asas a bater!

Que uma parte combine
E a outra se perca do ritmo
As setenças não precisam fazer sentido
Para cada ser que a interprete

Fico a imaginar os risos de uma criança
Ao ler palavras sem pé, nem cabeça
E imagino os irônicos sorrisos
Do poeta certinho de Letras

Não sou poêmica profissional
Também não crio polêmica
E muito menos tendências

Só quero escrever sem igual
Fazer dos meus versos um dilema
E deixà-los livres para voar...
Pelo mundo de paisagens desconhecidas
E visões, mais inimagináveis ainda.

Que flutuem as palavras pelas imensidões do Planeta!
E pelas imensidões dos pensamentos humanos!

Querido Garoto D, Homem D.

Você mudou, e como mudou.
Eu te olhava, e era só um menino... meio caladão, um pouco misterioso. Eu achava estranho. Ficava curiosa sobre essa personalidade que tanto se escondia... ainda fico. Não havia sentimento, havia inquietação, um estranhamento que despertava a vontade de entender... você.
Sempre quis te entender, e até hoje isso é tão dificil pra mim... A diferença é que antes era por simples curiosidade e agora se tornou essa necessidade incessante que me transtorna o cotidiano.
Tantas vezes me falaram dos seus méritos, insucessos, vitórias... mas nunca, nunca nada do que ouvi pôde me aproximar da descoberta ansiada por mim: Quem é você, afinal? Qual o seu jeito, os seus gostos? E porquê uma pessoa gosta tanto de se esconder?
Queria conhecer os seus sentimentos, saber se é recíproca essa ligação estranha que sinto...
Não uma emoção afetiva qualquer, é como se tivesse um traço forte de destino, um laço forte de coincidências... coincidências demais, que sempre me levam ao seu encontro. Repentinamente, lá está você... bem na minha frente! Qual o significado disso? É uma amizade que precisa nascer daí? Uma paixão? Um amor pra vida inteira? Ou você é só alguém que eu preciso encontrar e reencontrar, por algum motivo desconhecido e pronto? O fato é que você me deixa confusa... que seus atos me são ininterpretáveis. Mas quando eu menos espero, eu dou de cara com mais um deles... e continuo sem entender.
Você enfim se tornou um homem, mais forte, mais decidido, determinado... ativo. Mas ainda enxergo o mesmo menino menos musculoso e menos confiante. Você pode ter se esquecido dele, não eu. Por mais que tente parecer justamente o oposto, alguém já crescido, maduro e cheio de iniciativas, sempre terá o menino tímido nas suas entranhas e o mesmo ar de mistério que me fez tentar te compreender pela primeira vez, e sempre fará.

Atenciosamente,


Uma amiga.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Genes Infalíveis.

As pequenas bolsas dos olhos, a boca e o nariz.. tudo tão familiar e facilmente reconhecível. Sempre com o livro na mão.. Mas, ei.. Espera aí, eu conheço esse livro!
A mesma alergia... a perninha toda empolada por causa dos mosquitos.
Uma timidez no início e depois desanda-se a falar: pode-se dizer sobre ambas as partes, dois falsos tímidos.
E aquela coisa de ficar andando de um lado pro outro... exatamente igual.
Mas então chega a hora da despedida:

Ele desce timidamente do carro, olha pra trás.
Ela não entende nada, olha em direção ao motorista: "Ele vai embora amanhã.", ele diz.
Ela compreende tudo muito devagar.. "Porque é só agora que me avisa?", pensa.
Precisa descer do carro, dizer alguma coisa para os olhos ansiosos que ainda a observam.
Sai do carro. É a hora da despedida, entende finalmente.

Leva-o até o portão... e tenta pensar no que dizer. Há tanto para dizer...

- Hm... então.. tchau! Até o meio do ano, talvez.

- Ah.. é. Meio do ano, é? Venha mesmo...

- Aham..

- Dá um abraço?

Sorriso. Se abraçam forte e rapidamente.

Mas parece que a despedida seria adiada, para a alegria dos dois.
Ela o acompanha ao aeroporto, no dia seguinte.

Estão sentados no banco, próximos ao check-in.
Ela lê uma revista. Ele, um gibi.
Se entreolham, de vez em quando. Ou têm uma conversa rápida sobre algo divertido.
Riem um pouco, se impacientam. Esperam...
Chega a hora. Caminham juntos ao portão de embarque. Após algumas piadas sobre o imenso crachá que ele precisa pendurar no pescoço, e de todas as normas para segurança em aviões, ele tem de ir.
Ela aguarda sua vez de abraçá-lo. Se pega pensando de novo no que dizer...
Ele se vira para ela, meio esperançoso e sem saber o que fazer... Sorri. Um sorriso sincero e um pouco tímido..
Ela ganha coragem, e escancara os braços, bem sorridente.

Se abraçam mais longamente do que no dia anterior: "Tchau!", "Tchau..."- dizem os dois, com certa cumplicidade.

Ele atravessa o portão de embarque, sempre olhando pra trás e dando adeusinhos com as mãos.
Ela, sorrindo, continua olhando através do vidro, esperando que ele olhe mais uma vez... Mas ele já segue em frente.

"Eu te amo..." diz para si mesma, baixinho...

E então anda em silêncio durante o trajeto até o carro, no estacionamento.
Se encolhe no banco do carona, esperando chegar logo em casa.
E chora, silenciosamente.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Menos 15 dias de luta, ou 365, ou uma vida inteira.

Eu não quero morrer. Mas eu não quero viver pra ver isso.
Será que eu merecia mesmo essa apunhalada que dói tanto? No peito, no estômago... No espírito despedaçado. Nos sonhos fugitivos. Na desesperança. No medo. Nos brônquios... dificuldade de respirar.
A sombra da dor não deixa o meu rosto. A face contraída e molhada. O olhos vazios. Tudo foi embora em questão de minutos. Como a vida pode ser assim tão volátil? Como ela pode me escorregar entre os dedos de forma tão repentina?
Mas do que a explosão das bolhas no meu corpo fraco, explode a fraqueza na minha alma. É difícil acreditar, mas a prova está literalmente estampada na minha cara. Não tenho mais vergonha da minha aparência, tenho vergonha da minha inutilidade, incapacidade de mudar as coisas. Minhas mãos estão atadas. As minhas pernas e tudo mais que sei e que possuo também.
Não gosto de ser vulnerável. Não gosto de ser passível diante da tempestade que se forma sobre a minha cabeça. Eu não nasci pra aceitar tudo do jeito que é, eu não suporto deixar as coisas como estão, me resignar. Mas o que mais eu posso fazer? Não me conformo, mas o que mais eu posso fazer?
Nada.

.
.
.

Você não acreditaria se eu lhe dissesse o quanto é impossível de acreditar.

Eu perdi quase uma vida inteira em poucos dias, como pode isso, meu Deus? Eu perdi tudo o que tentei, tudo... E agora só me resta um resquício de fé desiludida de que as coisas vão melhorar. Mas no fundo, eu sei... Não vão.


sábado, 16 de outubro de 2010

Lumus

Há uma penumbra sobre o meu horizonte. Nada se esclarece ou se cobre com a pura treva. E eu me sinto tão só e tão incompreensível. Meus olhos não param de arder, não param de arder... Me consomem na iminência do fluido que não pode escorrer pela face intérprete. Essa sensação estranha de não saber onde pisar, de sentir as pernas trêmulas, temendo o risco progressivo - a cada passo - de cair no chão, seco e frio.
Eu vejo folhas caídas de outono nos meus sonhos. Lugares claros, com cores vivas, tomados de luz. Aí eu acordo debaixo da sombra de novo. Olho pro céu e não vejo nem o límpido azul, nem o cinza-chumbo. Eu vejo embaçado, sem cor definida - não sei. Não sei o que nada disso significa, realmente. Talvez seja só o meu astigmatismo, ou sei lá.
Queria ser uma boa atriz, mas minha voz sempre me entrega. É a válvula de escape da minha alma inquieta. Ela trepida, tremula, esganiça, geme, discursa, se eleva, esbraveja... igualzinha a mim. Mas eu tenho mesmo que ressurgir desse meio-termo agonizante. Sou ou não sou? Tenho ou não tenho? Posso ou não posso? Choro ou não choro?

Me isolo.
Sofro.
Me recupero.
Me iludo.
Enxergo.
O ciclo se repete. E se repete. E se repete. E se repete. E ... ... ... ...

Me é imprescindível um estopim para me retirar desse entrave. Algo drástico.
Preciso recomeçar a acreditar nos verões calmos, de longas horas nadando no mar ou só sentada na areia, enterrando os dedos do pé e respirando a água salgada. Lembrar daqueles dias de leituras leves e barulho de chuva torrencial agredindo as telhas, respirando o solo úmido e as folhas de cacau.
Tudo isso ainda está no meu futuro, é algo que não perderei e é no que devo me agarrar. Preciso me ler e me reler, me encontrar. Preciso levantar a varinha de novo e dizer: Lumus!
E aí toda penumbra irá embora e a escuridão completa nem chegará perto.
Nunca pensei que reviveria isso, o meu herói das lembranças infantis mais tristes vindo me salvar outra vez. E tem gente que não entende o poder da mente humana.

Todos os seres racionais têm medo do escuro, do incerto, do desconhecido.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Cara.

Ele têm aquele brilho nos olhos que emanam a paixão, o sangue quente dos seres emocionais. Ele irradia aquele fulgor, uma certeza bruta e lapidada - o poder de convencer milhares de almas comuns. Ele tem aquela maneira de falar à prova de falhas, totalmente esclarecedora e verdadeira - mesmo que não o seja. Ele tem aqueles gestos que atravessam o subconsciente e o prende, sem dó nem piedade. O seu tom varia em tantas frequências diferentes que a propagação de sua ideologia é hipnotizante. Ele não causa tanto impacto, é sorrateiro e objetivo. Ele planeja e consegue. Se não consegue, ainda sim ele consegue - talvez algo maior, pelo menos uma alternativa viável. O Cara pode ser de qualquer gênero, etnia, região do planeta. Mas O Cara é indivíduo raro, me refiro aos legítimos. Porque é claro que seres assim sofrem tentativas de cópia. Mas é impossível. Porque O Cara será sempre O Cara, sempre ímpar e inigualável.

eu sou uma puta de uma boazinha.

E os bonzinhos sempre se fodem. Porquê eu não consigo ser sacana como todo mundo? Porquê eu não consigo burlar algumas regras pra me beneficiar? Porquê minha consciência sempre pesa antes e não depois de fazer a coisa errada? Todo mundo me decepciona, então porque me dói tanto e eu evito tanto fazer o mesmo com os outros? Eu devia ser uma sacana, mas so uma puta de uma boazinha. E é por isso que eu me fodo sempre. Isso e minha irresponsabilidade. Boba, fraca, medrosa, idiota. Eu só faço merda comigo mesma, ótimo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Decisão à prova de balas.

Queria ter. Não tenho, não. Aquela decisão infalível, que meus olhos vêem, mas não acreditam. Ou melhor, até acreditam sim - só não viva em mim, não realizada por mim. É só que me parece tão improvável, e só não impossível porque já me deparei com ela, a maldita. Qual a razão da ilusão de sua inalcançabilidade apenas por tantos? É privilégio de alguns possuí-la, e de menos ainda dominá-la completamente. Às vezes ela aparece em algumas situações, geralmente ligadas ao desespero, para certas pessoas - acho que se configura no meu caso. Tem outras, que passam a vida numa desesperança constante e nunca a deslumbram. Mas os privilegiados - ah, os privilegiados! - esses a controlam todos os dias, a encaminham para seus interesses e objetivos, e acabam conseguindo tudo o que desejam, pelo esforço dela advindo. Incrível! Queria eu ter a bendita cuja... Quem sabe um dia? Continuarei a busca, espero que a encontre logo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Freaking Out

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!
Eu to com medo de crescer.
Eu to com medo de falhar.
Eu to com medo de mim mesma se eu falhar.
Eu to com medo de não ser boa o suficiente em nada e isso é até bem possível.
Eu to com medo de continuar a ser exatamente quem eu sou,
não mudar nem um pouquinho pra melhor.
Eu to com medo de não ser A melhor em alguma coisa.
Eu tenho a necessidade de me destacar, todo mundo tem e eu não sou hipócrita e admito.
Eu quero, eu PRECISO passar no maldito vestibular, porque eu to com medo de como eu vou ficar se isso não acontecer, eu não sei como ( e se) vou suportar a maior decepção da minha vida.
Eu to com medo de não conseguir o que eu sempre mais quis e preciso na minha existência: ser independente, e o mais rápido possível.

PU-TA QUE PA-RIU! EU QUE-RO QUE IS-SO A-CA-BE LO-GO! GRRRRRRRRRRR!

Porque as coisas não podem simplesmente acontecer do jeito que eu PRECISO que elas aconteçam?????????!!!!!

I'M SO FREAKED OUT, FREAKING SCARED!!!!!! I just can't stop it.

Nossa, eu preciso mesmo de um suco de maracujá.

Pequenos atos deploráveis.

É assim que começa os grandes feitos: pequenas atitudes, aparentemente mínimas. Você passa a transgredir o sistema sem nem perceber, você não se dá conta de que é exatamente isso que está fazendo. Inicia-se progressivamente. Hoje uma pequena setença inverossímil, amanhã uma omissão premiada com um benefício próprio. E então abrem-se as asas da liberdade sem regras. Qual o limite disso? Será que ele existe? Talvez quem entre por esse labirinto se perca e não saiba voltar. Quem vai saber se Ariadne estará segurando a ponta da corda na saída, dessa vez? As coisas às vezes acontecem com uma velocidade inacreditátel, especialmente as coisas intensas. O mundo gira cada vez mais rápido e assim, veloz, é difícil parar. É difícil voltar atrás, então nada adianta se arrepender. O primeiro de tais atos é sempre furtivo. Traz aquela sensação indefinível ao pé do estômago, uma espécie de contração involuntária - ansiedade. A mais importante das emoções no entanto é o sentimento de poder. Esse sim, perigosíssimo, é o que leva à reincidência, substância aditiva. E as decisões de cada indivíduo vão se mostrando cada vez mais definitivas. No início, a consciência vem tirar satisfações. É o sistema aplicando a influência que tem sobre seu cerébro. E aí vem a culpa mental que às vezes acompanha a física - respiração prolongada pra recuperar o ritmo do coração acelerado, enxuga-se a mão suada na calça jeans, olha pros lados a garantir a privacidade da culpa, e já está pronto para a próxima. E daqui em diante, será no automático. Tão comum que nem saberá a diferença. Não, não fará a miníma idéia do que já lhe pareceu errado um dia. É só a sua rotina agora, o seu contexto defasado. Boa sorte, você vai precisar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Virtude máxima de um ser.

A virtude máxima do ser está na resposta que sua alma desperta em outras. Não está nele. Ela sequer existe. Apenas co-existe enquanto vive quem lhe enxerga esta virtude. Utópicamente infalível, ela atrai. Não há resposta para a pergunta inquietante. Porquê? Porquê o faz? Ele nem sabe, não faz idéia. Surge espontâneamente e o ser não a nota então, nem jamais o fará. Por mais que ela cresça, não o fará. Ignora-a, pois não está realmente presente. Apenas os despertos, os sensibilizados por essa qualidade indefinível a sentem. E até esses não sabem explicar. É algo tão incrivelmente belo e inacreditável que é guardado e escondido. Não se tem coragem de mostrá-la ao mundo, este não entenderia. Também esta dificilmente seria declarada, materializada. Seria preciso a mais nobre das bravuras, aquela independente de contexto, de situação, que acompanha muito poucos seres em vida. E é devido às conseqüências que isso traria: uma possível morte do que é mais puro, a decepção incurável - nem todos os indivíduos estão prontos para a profundidade que tal virtude propõe. Às vezes, ela nem é tão forte, apenas impele um cativamento passageiro. Outras vezes desperta o mais avassalador tornado das emoções. Tal virtude, qual seria? Sinceramente, nunca vi expressa em palavras. Mas digo uma coisa apenas: Quem a tem, não sabe. Quem a sente, já descobriu qual é.

Sob as patas do Corcel

Fulguras diante mim
Como no fim de tarde o faz ao céu
A estrela d'alva única e esplendorosa

Embebe-se assim
Frente ao meu duvidoso carrossel
Da paz em trânsito morosa

Digna-se afim
De evitar o atropelo do corcel
Por sobre minh'alma ditosa

Vivei-me, oh sim
distorce-me e ameniza o fel
Da caminhada escabrosa

Desfazes o brim
Que me cobre de réu
me exaure da menos duvidosa,
escolha.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu me drogo de ilusões.

Passei tanto tempo imaginando que agora tenho receio de concretizar. É bem provável que a realidade não corresponda às minhas expectativas e isso vai doer mais do que a dúvida. Será? Talvez não queira descobrir, para isso teria que me arriscar e não sinto a segurança necessária para fazê-lo, agora. O ideal não se tornará maciço, nem tocável ou sequer tangível. Mas me consome, como me consome, viajar pelos caminhos que poderiam ter me levado à outros lugares, mesmo sem ter a certeza se esses seriam melhores ou piores do que aquele no qual agora me encontro. O provável mesmo é que eu permaneça. Como aguentar a perda daquilo que me sustentou por tantos anos? Que me ligou ao que eu já fui um dia e não me deixou esquecer? É mais do que a sua individualidade, é a sua capacidade de, como uma cola, estabelecer-me os vínculos com meu passado, notório e feliz. A habilidade inata de juntar as peças do quebra-cabeça de nome eu. Não posso ter-te pois não posso deixar-te ir. Não posso fazer essa troca, uma alma por um coração.