quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Don't wake me up when September starts.

Sinto saudade daquela menininha feliz. Não precisava muito para agradá-la. Um bolo, família, os amiguinhos de sempre, aquela música com palmas e tava tudo certo.
Quero de novo. Só mais uma vez ir dormir feliz na véspera, ansiosa. Acordar, mas continuar de olhos fechados imaginando os sorrisos, nervosa, com medo de não estarem ali como sempre. Abrir os olhos e descobrir que estão: O pai, a mãe, o minibolo com uma "vela de quando falta luz" no meio, o irmão (é, até o irmão...). Meu pai segurando aquela caixinha retangular já conhecida, a mesma todo ano: um uniforme completo do Vitória, novinho em folha (tinha até as meias!). Minha mãe segurando outra caixa, provavelmente um livro de aventuras ou uma roupa que ela achou bonitinha. Meu irmão cantando com aquela má vontade e a cara de ' termina logo, eu quero o bolo'. E aí mais tarde, aquela sucessão de tias na cozinha, uma faz o bolo, e é enrola brigadeiro, corta o recheio da coxinha, "para de futucar, Alan mais Jessica!", briga pela lata semi-vazia de leite condensado, as crianças enchendo bola... E para mim já era uma festa, antes mesmo da festa começar. E aí, a festa em si. Grande ou pequena, tanto fazia. Mas as pessoas, as brincadeiras... isso, sim, era essencial. Aquelas danças típicas de meninas - uma imitando a outra. O esconde-esconde no play. Subir pra comer cachorro-quente. O parabéns - com aqueles engraçadinhos que sempre querem repetir mil vezes a parte do "que deus lhe dê...". Encher a barriga (e os bolsos) de doces, brigar pelos últimos. Estourar as bolas no final...
Não deixarei nunca de sentir aquele friozinho na barriga ao acordar no dia 1º de Setembro, data que sempre tanto amei. Será o resquício da felicidade que tive um dia e nunca mais terei.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Passadas e Ventania

Esforçava-se ao máximo. Parecia que ele estava por perto observando-a, mas não tinha vontade de levantar os olhos - fingia-se desapercebida da sua presença. Ventava forte. As árvores balançavam de lado a outro bruscamente e isso a assustava. Mas não era o suficiente para deter a ela, em seu objetivo. Escurecia e ela já demonstrava alguns sinais de fraqueza. Fraqueza, não desistência. As sopradas de ventos ja eram tão fortes que lhe feriam os olhos - quase já nao conseguiam, estes, manterem-se abertos: lacrimejavam copiosamente. Ele não parecia ligar muito nesse momento, distraía-se a olhar para o horizonte pensativo. Ainda assim ela juntava as suas forças para uma nova tentativa. Pôs-se de pé com alguma dificuldade. Era possível observar, algum espectador mais atento, que ela não abandonaria a sua meta tão facilmente, e nem dificilmente, por sinal. Estava completa e astutamente determinada. Sabia o quê e como fazer, a tempos se preparava, ensaiava... Mas toda aquela ventania! Parece que escolhera o momento errado, talvez devesse deixar para outra oportunidade... Não, não podia e sabia disso, sabia como as oportunidades ali eram escassas - ele raramente estaria tão perto e disponível como agora, a platéia perfeita. Resolveu-se por fim, arriscaria agora um passo e... não, NÃO! Fora cedo demais, as rajadas jogaram os seus cachos anelados sobre os olhos e a fizeram perder a noção de espaço, o equilíbrio - foi ao chão. Doera, não pôde evitar o choro silencioso. Mas nada de esperneio, ele não podia descobrir a sua façanha antes do tempo. Arrastou-se até o meio-fio, sentou-se de pés juntinhos e descobriu que, passados alguns momentos, a dor também passava. Foi tudo culpa dessa ventania! - pensara ela. Não, fora culpa dela, isso sim. Não havia reunido força suficiente para não deixar-se ser influênciada pela tal ventania, que não tem culpa, é natural e inevitável. Levantou-se de um pulo, esperou um momento enquanto se acostumava com os sopros fortes e aprendia a ter equilíbrio apesar deles. Foi então que deu o primeiro passo. Não se contentou, era pouco e parecia que ele nem sequer havia ainda notado. Deu outro, e outro, e outro e mais outro. Abraçara suas pernas, ele a olhava sorrindo, extremamente feliz. Pegou-a no colo e disse:
- O que você achou, Jú? Que eu não estava oservando cada detalhe, cada minuto das suas tentativas com a maior atenção do mundo? Eu te vi cair e fingi não ver, porque era isso que você queria e precisava. Estive todo o tempo falsamente indiferente e distante, mas aflito e do seu lado. Parabéns, minha pequena, você me deu toda a felicidade que eu poderia ter!
Ela retribuía o seu olhar cheio de amor, ainda franzindo o rosto para proteger-se do ar revolto.
Foi assim que a pequena Júlia aprendeu a andar ao sabor dos ventos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Terceiroanista.

Oi. Eu estou cursando o 3º ano do Ensino Médio.
Hmm, o que foi que eu tinha dito sobre isso mesmo?
Poxa, foi um dia desses...
Ah, é. Esse é o ano que ta fod**** a minha vida.

Mas olha! Que bom que eu lembrei...

Metalíngue paradoxo

Dádivas primordiais dos fenícios
Peças de quebra-cabeças eternos
Monômeros dos mais nobres e solícitos
Apego meu infinito

Me transforma, os seduz
Pontes para as mais diversas divagações
Cosmopolitas, se propagam como por magia
Eficaz terapia, amenizam a cruz

Oh, a invenção mais digna! 
Sequer Edison lhes faria justiça
Nem Einstein ou outros cientistas
Descobridores, aventureiros
Todos dela dependeram.

Nunca falhas ao cumprir o designar
Por razão qualquer, tudo lhes é tangível
Transicionam para ao objeto se adaptar

Símbolos efêmeros de todas as coisas
E suponho ainda, dos mais belos que há!
Salvaste aqui, como dantes já fizera
Pois em Babel não houvera descomeço algum
Ao revés, multiplicastes seu poderio além mar

Expansiva criação que a tudo vincula
Se carrega todo o dizer existente,
Eis o que impende e ora suplico:
Reproduza teus milagres em mim!
Que o já ocorrido, seja agora em definitivo.

Sois tão complexas e nisto me espelho
E ainda completas, no que não me vejo

Inatamente compreensíveis 
Como talvez nunca serei
Ou apenas complacentes,
Como jamais poderia almejar ser
Inconstante e viva que sou
Sintomática 
E incandescente.

Titã

Só queria decifrar-te uma vez
Desvendar os motivos de toda essa sua revolução
Qual aspecto tão bipolar e tão seu
Como advinhar o que está por vir?

Não desisto, sou incansável e boba
Uma nova surpresa toma forma
É devastadora em mim

Porque roubas os meus sonhos,
se me foi dito que roubar é errado?
Porque desfazes as minhas esperanças,
se supostamente deverias me fazer feliz?

Você me faz não ser eu
Suga as minhas forças e me deixa
inerte e sem palavras
De um jeito que não condiz comigo

Fecha a gaveta por algum tempo
Você bem que poderia me deixar guardar
Aquelas velhas mágoas do passado

Devolve as minhas expectativas
Não há desculpa pra tanta arrogância assim,
nem tudo que é meu lhe pertence

Porque lhe é tão fácil tirar o doce da criança?
Dou-lhe um pouco dos meus remorsos,
se lhe aprouver

Você perdeu a sua boneca
Aprenda a conviver com isso depressa
Esperar as tuas convergências me é difícil demais
Demais, demais, demais

Ainda desejo a sua companhia
Então não me afasta, reprime
e me obriga a te deixar um dia
Porque só será impossível
Até que eu consiga pela primeira vez

Não pense nem por um só segundo
Que é esse o meu querer, o meu anseio
Nunca!
Mas o tempo será o único juiz
E ele é imparcial e indiferente