Sinto saudade daquela menininha feliz. Não precisava muito para agradá-la. Um bolo, família, os amiguinhos de sempre, aquela música com palmas e tava tudo certo.
Quero de novo. Só mais uma vez ir dormir feliz na véspera, ansiosa. Acordar, mas continuar de olhos fechados imaginando os sorrisos, nervosa, com medo de não estarem ali como sempre. Abrir os olhos e descobrir que estão: O pai, a mãe, o minibolo com uma "vela de quando falta luz" no meio, o irmão (é, até o irmão...). Meu pai segurando aquela caixinha retangular já conhecida, a mesma todo ano: um uniforme completo do Vitória, novinho em folha (tinha até as meias!). Minha mãe segurando outra caixa, provavelmente um livro de aventuras ou uma roupa que ela achou bonitinha. Meu irmão cantando com aquela má vontade e a cara de ' termina logo, eu quero o bolo'. E aí mais tarde, aquela sucessão de tias na cozinha, uma faz o bolo, e é enrola brigadeiro, corta o recheio da coxinha, "para de futucar, Alan mais Jessica!", briga pela lata semi-vazia de leite condensado, as crianças enchendo bola... E para mim já era uma festa, antes mesmo da festa começar. E aí, a festa em si. Grande ou pequena, tanto fazia. Mas as pessoas, as brincadeiras... isso, sim, era essencial. Aquelas danças típicas de meninas - uma imitando a outra. O esconde-esconde no play. Subir pra comer cachorro-quente. O parabéns - com aqueles engraçadinhos que sempre querem repetir mil vezes a parte do "que deus lhe dê...". Encher a barriga (e os bolsos) de doces, brigar pelos últimos. Estourar as bolas no final...
Não deixarei nunca de sentir aquele friozinho na barriga ao acordar no dia 1º de Setembro, data que sempre tanto amei. Será o resquício da felicidade que tive um dia e nunca mais terei.
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