quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Menos 15 dias de luta, ou 365, ou uma vida inteira.

Eu não quero morrer. Mas eu não quero viver pra ver isso.
Será que eu merecia mesmo essa apunhalada que dói tanto? No peito, no estômago... No espírito despedaçado. Nos sonhos fugitivos. Na desesperança. No medo. Nos brônquios... dificuldade de respirar.
A sombra da dor não deixa o meu rosto. A face contraída e molhada. O olhos vazios. Tudo foi embora em questão de minutos. Como a vida pode ser assim tão volátil? Como ela pode me escorregar entre os dedos de forma tão repentina?
Mas do que a explosão das bolhas no meu corpo fraco, explode a fraqueza na minha alma. É difícil acreditar, mas a prova está literalmente estampada na minha cara. Não tenho mais vergonha da minha aparência, tenho vergonha da minha inutilidade, incapacidade de mudar as coisas. Minhas mãos estão atadas. As minhas pernas e tudo mais que sei e que possuo também.
Não gosto de ser vulnerável. Não gosto de ser passível diante da tempestade que se forma sobre a minha cabeça. Eu não nasci pra aceitar tudo do jeito que é, eu não suporto deixar as coisas como estão, me resignar. Mas o que mais eu posso fazer? Não me conformo, mas o que mais eu posso fazer?
Nada.

.
.
.

Você não acreditaria se eu lhe dissesse o quanto é impossível de acreditar.

Eu perdi quase uma vida inteira em poucos dias, como pode isso, meu Deus? Eu perdi tudo o que tentei, tudo... E agora só me resta um resquício de fé desiludida de que as coisas vão melhorar. Mas no fundo, eu sei... Não vão.


sábado, 16 de outubro de 2010

Lumus

Há uma penumbra sobre o meu horizonte. Nada se esclarece ou se cobre com a pura treva. E eu me sinto tão só e tão incompreensível. Meus olhos não param de arder, não param de arder... Me consomem na iminência do fluido que não pode escorrer pela face intérprete. Essa sensação estranha de não saber onde pisar, de sentir as pernas trêmulas, temendo o risco progressivo - a cada passo - de cair no chão, seco e frio.
Eu vejo folhas caídas de outono nos meus sonhos. Lugares claros, com cores vivas, tomados de luz. Aí eu acordo debaixo da sombra de novo. Olho pro céu e não vejo nem o límpido azul, nem o cinza-chumbo. Eu vejo embaçado, sem cor definida - não sei. Não sei o que nada disso significa, realmente. Talvez seja só o meu astigmatismo, ou sei lá.
Queria ser uma boa atriz, mas minha voz sempre me entrega. É a válvula de escape da minha alma inquieta. Ela trepida, tremula, esganiça, geme, discursa, se eleva, esbraveja... igualzinha a mim. Mas eu tenho mesmo que ressurgir desse meio-termo agonizante. Sou ou não sou? Tenho ou não tenho? Posso ou não posso? Choro ou não choro?

Me isolo.
Sofro.
Me recupero.
Me iludo.
Enxergo.
O ciclo se repete. E se repete. E se repete. E se repete. E ... ... ... ...

Me é imprescindível um estopim para me retirar desse entrave. Algo drástico.
Preciso recomeçar a acreditar nos verões calmos, de longas horas nadando no mar ou só sentada na areia, enterrando os dedos do pé e respirando a água salgada. Lembrar daqueles dias de leituras leves e barulho de chuva torrencial agredindo as telhas, respirando o solo úmido e as folhas de cacau.
Tudo isso ainda está no meu futuro, é algo que não perderei e é no que devo me agarrar. Preciso me ler e me reler, me encontrar. Preciso levantar a varinha de novo e dizer: Lumus!
E aí toda penumbra irá embora e a escuridão completa nem chegará perto.
Nunca pensei que reviveria isso, o meu herói das lembranças infantis mais tristes vindo me salvar outra vez. E tem gente que não entende o poder da mente humana.

Todos os seres racionais têm medo do escuro, do incerto, do desconhecido.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Cara.

Ele têm aquele brilho nos olhos que emanam a paixão, o sangue quente dos seres emocionais. Ele irradia aquele fulgor, uma certeza bruta e lapidada - o poder de convencer milhares de almas comuns. Ele tem aquela maneira de falar à prova de falhas, totalmente esclarecedora e verdadeira - mesmo que não o seja. Ele tem aqueles gestos que atravessam o subconsciente e o prende, sem dó nem piedade. O seu tom varia em tantas frequências diferentes que a propagação de sua ideologia é hipnotizante. Ele não causa tanto impacto, é sorrateiro e objetivo. Ele planeja e consegue. Se não consegue, ainda sim ele consegue - talvez algo maior, pelo menos uma alternativa viável. O Cara pode ser de qualquer gênero, etnia, região do planeta. Mas O Cara é indivíduo raro, me refiro aos legítimos. Porque é claro que seres assim sofrem tentativas de cópia. Mas é impossível. Porque O Cara será sempre O Cara, sempre ímpar e inigualável.

eu sou uma puta de uma boazinha.

E os bonzinhos sempre se fodem. Porquê eu não consigo ser sacana como todo mundo? Porquê eu não consigo burlar algumas regras pra me beneficiar? Porquê minha consciência sempre pesa antes e não depois de fazer a coisa errada? Todo mundo me decepciona, então porque me dói tanto e eu evito tanto fazer o mesmo com os outros? Eu devia ser uma sacana, mas so uma puta de uma boazinha. E é por isso que eu me fodo sempre. Isso e minha irresponsabilidade. Boba, fraca, medrosa, idiota. Eu só faço merda comigo mesma, ótimo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Decisão à prova de balas.

Queria ter. Não tenho, não. Aquela decisão infalível, que meus olhos vêem, mas não acreditam. Ou melhor, até acreditam sim - só não viva em mim, não realizada por mim. É só que me parece tão improvável, e só não impossível porque já me deparei com ela, a maldita. Qual a razão da ilusão de sua inalcançabilidade apenas por tantos? É privilégio de alguns possuí-la, e de menos ainda dominá-la completamente. Às vezes ela aparece em algumas situações, geralmente ligadas ao desespero, para certas pessoas - acho que se configura no meu caso. Tem outras, que passam a vida numa desesperança constante e nunca a deslumbram. Mas os privilegiados - ah, os privilegiados! - esses a controlam todos os dias, a encaminham para seus interesses e objetivos, e acabam conseguindo tudo o que desejam, pelo esforço dela advindo. Incrível! Queria eu ter a bendita cuja... Quem sabe um dia? Continuarei a busca, espero que a encontre logo.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Freaking Out

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!
Eu to com medo de crescer.
Eu to com medo de falhar.
Eu to com medo de mim mesma se eu falhar.
Eu to com medo de não ser boa o suficiente em nada e isso é até bem possível.
Eu to com medo de continuar a ser exatamente quem eu sou,
não mudar nem um pouquinho pra melhor.
Eu to com medo de não ser A melhor em alguma coisa.
Eu tenho a necessidade de me destacar, todo mundo tem e eu não sou hipócrita e admito.
Eu quero, eu PRECISO passar no maldito vestibular, porque eu to com medo de como eu vou ficar se isso não acontecer, eu não sei como ( e se) vou suportar a maior decepção da minha vida.
Eu to com medo de não conseguir o que eu sempre mais quis e preciso na minha existência: ser independente, e o mais rápido possível.

PU-TA QUE PA-RIU! EU QUE-RO QUE IS-SO A-CA-BE LO-GO! GRRRRRRRRRRR!

Porque as coisas não podem simplesmente acontecer do jeito que eu PRECISO que elas aconteçam?????????!!!!!

I'M SO FREAKED OUT, FREAKING SCARED!!!!!! I just can't stop it.

Nossa, eu preciso mesmo de um suco de maracujá.

Pequenos atos deploráveis.

É assim que começa os grandes feitos: pequenas atitudes, aparentemente mínimas. Você passa a transgredir o sistema sem nem perceber, você não se dá conta de que é exatamente isso que está fazendo. Inicia-se progressivamente. Hoje uma pequena setença inverossímil, amanhã uma omissão premiada com um benefício próprio. E então abrem-se as asas da liberdade sem regras. Qual o limite disso? Será que ele existe? Talvez quem entre por esse labirinto se perca e não saiba voltar. Quem vai saber se Ariadne estará segurando a ponta da corda na saída, dessa vez? As coisas às vezes acontecem com uma velocidade inacreditátel, especialmente as coisas intensas. O mundo gira cada vez mais rápido e assim, veloz, é difícil parar. É difícil voltar atrás, então nada adianta se arrepender. O primeiro de tais atos é sempre furtivo. Traz aquela sensação indefinível ao pé do estômago, uma espécie de contração involuntária - ansiedade. A mais importante das emoções no entanto é o sentimento de poder. Esse sim, perigosíssimo, é o que leva à reincidência, substância aditiva. E as decisões de cada indivíduo vão se mostrando cada vez mais definitivas. No início, a consciência vem tirar satisfações. É o sistema aplicando a influência que tem sobre seu cerébro. E aí vem a culpa mental que às vezes acompanha a física - respiração prolongada pra recuperar o ritmo do coração acelerado, enxuga-se a mão suada na calça jeans, olha pros lados a garantir a privacidade da culpa, e já está pronto para a próxima. E daqui em diante, será no automático. Tão comum que nem saberá a diferença. Não, não fará a miníma idéia do que já lhe pareceu errado um dia. É só a sua rotina agora, o seu contexto defasado. Boa sorte, você vai precisar.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Virtude máxima de um ser.

A virtude máxima do ser está na resposta que sua alma desperta em outras. Não está nele. Ela sequer existe. Apenas co-existe enquanto vive quem lhe enxerga esta virtude. Utópicamente infalível, ela atrai. Não há resposta para a pergunta inquietante. Porquê? Porquê o faz? Ele nem sabe, não faz idéia. Surge espontâneamente e o ser não a nota então, nem jamais o fará. Por mais que ela cresça, não o fará. Ignora-a, pois não está realmente presente. Apenas os despertos, os sensibilizados por essa qualidade indefinível a sentem. E até esses não sabem explicar. É algo tão incrivelmente belo e inacreditável que é guardado e escondido. Não se tem coragem de mostrá-la ao mundo, este não entenderia. Também esta dificilmente seria declarada, materializada. Seria preciso a mais nobre das bravuras, aquela independente de contexto, de situação, que acompanha muito poucos seres em vida. E é devido às conseqüências que isso traria: uma possível morte do que é mais puro, a decepção incurável - nem todos os indivíduos estão prontos para a profundidade que tal virtude propõe. Às vezes, ela nem é tão forte, apenas impele um cativamento passageiro. Outras vezes desperta o mais avassalador tornado das emoções. Tal virtude, qual seria? Sinceramente, nunca vi expressa em palavras. Mas digo uma coisa apenas: Quem a tem, não sabe. Quem a sente, já descobriu qual é.

Sob as patas do Corcel

Fulguras diante mim
Como no fim de tarde o faz ao céu
A estrela d'alva única e esplendorosa

Embebe-se assim
Frente ao meu duvidoso carrossel
Da paz em trânsito morosa

Digna-se afim
De evitar o atropelo do corcel
Por sobre minh'alma ditosa

Vivei-me, oh sim
distorce-me e ameniza o fel
Da caminhada escabrosa

Desfazes o brim
Que me cobre de réu
me exaure da menos duvidosa,
escolha.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu me drogo de ilusões.

Passei tanto tempo imaginando que agora tenho receio de concretizar. É bem provável que a realidade não corresponda às minhas expectativas e isso vai doer mais do que a dúvida. Será? Talvez não queira descobrir, para isso teria que me arriscar e não sinto a segurança necessária para fazê-lo, agora. O ideal não se tornará maciço, nem tocável ou sequer tangível. Mas me consome, como me consome, viajar pelos caminhos que poderiam ter me levado à outros lugares, mesmo sem ter a certeza se esses seriam melhores ou piores do que aquele no qual agora me encontro. O provável mesmo é que eu permaneça. Como aguentar a perda daquilo que me sustentou por tantos anos? Que me ligou ao que eu já fui um dia e não me deixou esquecer? É mais do que a sua individualidade, é a sua capacidade de, como uma cola, estabelecer-me os vínculos com meu passado, notório e feliz. A habilidade inata de juntar as peças do quebra-cabeça de nome eu. Não posso ter-te pois não posso deixar-te ir. Não posso fazer essa troca, uma alma por um coração.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Don't wake me up when September starts.

Sinto saudade daquela menininha feliz. Não precisava muito para agradá-la. Um bolo, família, os amiguinhos de sempre, aquela música com palmas e tava tudo certo.
Quero de novo. Só mais uma vez ir dormir feliz na véspera, ansiosa. Acordar, mas continuar de olhos fechados imaginando os sorrisos, nervosa, com medo de não estarem ali como sempre. Abrir os olhos e descobrir que estão: O pai, a mãe, o minibolo com uma "vela de quando falta luz" no meio, o irmão (é, até o irmão...). Meu pai segurando aquela caixinha retangular já conhecida, a mesma todo ano: um uniforme completo do Vitória, novinho em folha (tinha até as meias!). Minha mãe segurando outra caixa, provavelmente um livro de aventuras ou uma roupa que ela achou bonitinha. Meu irmão cantando com aquela má vontade e a cara de ' termina logo, eu quero o bolo'. E aí mais tarde, aquela sucessão de tias na cozinha, uma faz o bolo, e é enrola brigadeiro, corta o recheio da coxinha, "para de futucar, Alan mais Jessica!", briga pela lata semi-vazia de leite condensado, as crianças enchendo bola... E para mim já era uma festa, antes mesmo da festa começar. E aí, a festa em si. Grande ou pequena, tanto fazia. Mas as pessoas, as brincadeiras... isso, sim, era essencial. Aquelas danças típicas de meninas - uma imitando a outra. O esconde-esconde no play. Subir pra comer cachorro-quente. O parabéns - com aqueles engraçadinhos que sempre querem repetir mil vezes a parte do "que deus lhe dê...". Encher a barriga (e os bolsos) de doces, brigar pelos últimos. Estourar as bolas no final...
Não deixarei nunca de sentir aquele friozinho na barriga ao acordar no dia 1º de Setembro, data que sempre tanto amei. Será o resquício da felicidade que tive um dia e nunca mais terei.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Passadas e Ventania

Esforçava-se ao máximo. Parecia que ele estava por perto observando-a, mas não tinha vontade de levantar os olhos - fingia-se desapercebida da sua presença. Ventava forte. As árvores balançavam de lado a outro bruscamente e isso a assustava. Mas não era o suficiente para deter a ela, em seu objetivo. Escurecia e ela já demonstrava alguns sinais de fraqueza. Fraqueza, não desistência. As sopradas de ventos ja eram tão fortes que lhe feriam os olhos - quase já nao conseguiam, estes, manterem-se abertos: lacrimejavam copiosamente. Ele não parecia ligar muito nesse momento, distraía-se a olhar para o horizonte pensativo. Ainda assim ela juntava as suas forças para uma nova tentativa. Pôs-se de pé com alguma dificuldade. Era possível observar, algum espectador mais atento, que ela não abandonaria a sua meta tão facilmente, e nem dificilmente, por sinal. Estava completa e astutamente determinada. Sabia o quê e como fazer, a tempos se preparava, ensaiava... Mas toda aquela ventania! Parece que escolhera o momento errado, talvez devesse deixar para outra oportunidade... Não, não podia e sabia disso, sabia como as oportunidades ali eram escassas - ele raramente estaria tão perto e disponível como agora, a platéia perfeita. Resolveu-se por fim, arriscaria agora um passo e... não, NÃO! Fora cedo demais, as rajadas jogaram os seus cachos anelados sobre os olhos e a fizeram perder a noção de espaço, o equilíbrio - foi ao chão. Doera, não pôde evitar o choro silencioso. Mas nada de esperneio, ele não podia descobrir a sua façanha antes do tempo. Arrastou-se até o meio-fio, sentou-se de pés juntinhos e descobriu que, passados alguns momentos, a dor também passava. Foi tudo culpa dessa ventania! - pensara ela. Não, fora culpa dela, isso sim. Não havia reunido força suficiente para não deixar-se ser influênciada pela tal ventania, que não tem culpa, é natural e inevitável. Levantou-se de um pulo, esperou um momento enquanto se acostumava com os sopros fortes e aprendia a ter equilíbrio apesar deles. Foi então que deu o primeiro passo. Não se contentou, era pouco e parecia que ele nem sequer havia ainda notado. Deu outro, e outro, e outro e mais outro. Abraçara suas pernas, ele a olhava sorrindo, extremamente feliz. Pegou-a no colo e disse:
- O que você achou, Jú? Que eu não estava oservando cada detalhe, cada minuto das suas tentativas com a maior atenção do mundo? Eu te vi cair e fingi não ver, porque era isso que você queria e precisava. Estive todo o tempo falsamente indiferente e distante, mas aflito e do seu lado. Parabéns, minha pequena, você me deu toda a felicidade que eu poderia ter!
Ela retribuía o seu olhar cheio de amor, ainda franzindo o rosto para proteger-se do ar revolto.
Foi assim que a pequena Júlia aprendeu a andar ao sabor dos ventos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Terceiroanista.

Oi. Eu estou cursando o 3º ano do Ensino Médio.
Hmm, o que foi que eu tinha dito sobre isso mesmo?
Poxa, foi um dia desses...
Ah, é. Esse é o ano que ta fod**** a minha vida.

Mas olha! Que bom que eu lembrei...

Metalíngue paradoxo

Dádivas primordiais dos fenícios
Peças de quebra-cabeças eternos
Monômeros dos mais nobres e solícitos
Apego meu infinito

Me transforma, os seduz
Pontes para as mais diversas divagações
Cosmopolitas, se propagam como por magia
Eficaz terapia, amenizam a cruz

Oh, a invenção mais digna! 
Sequer Edison lhes faria justiça
Nem Einstein ou outros cientistas
Descobridores, aventureiros
Todos dela dependeram.

Nunca falhas ao cumprir o designar
Por razão qualquer, tudo lhes é tangível
Transicionam para ao objeto se adaptar

Símbolos efêmeros de todas as coisas
E suponho ainda, dos mais belos que há!
Salvaste aqui, como dantes já fizera
Pois em Babel não houvera descomeço algum
Ao revés, multiplicastes seu poderio além mar

Expansiva criação que a tudo vincula
Se carrega todo o dizer existente,
Eis o que impende e ora suplico:
Reproduza teus milagres em mim!
Que o já ocorrido, seja agora em definitivo.

Sois tão complexas e nisto me espelho
E ainda completas, no que não me vejo

Inatamente compreensíveis 
Como talvez nunca serei
Ou apenas complacentes,
Como jamais poderia almejar ser
Inconstante e viva que sou
Sintomática 
E incandescente.

Titã

Só queria decifrar-te uma vez
Desvendar os motivos de toda essa sua revolução
Qual aspecto tão bipolar e tão seu
Como advinhar o que está por vir?

Não desisto, sou incansável e boba
Uma nova surpresa toma forma
É devastadora em mim

Porque roubas os meus sonhos,
se me foi dito que roubar é errado?
Porque desfazes as minhas esperanças,
se supostamente deverias me fazer feliz?

Você me faz não ser eu
Suga as minhas forças e me deixa
inerte e sem palavras
De um jeito que não condiz comigo

Fecha a gaveta por algum tempo
Você bem que poderia me deixar guardar
Aquelas velhas mágoas do passado

Devolve as minhas expectativas
Não há desculpa pra tanta arrogância assim,
nem tudo que é meu lhe pertence

Porque lhe é tão fácil tirar o doce da criança?
Dou-lhe um pouco dos meus remorsos,
se lhe aprouver

Você perdeu a sua boneca
Aprenda a conviver com isso depressa
Esperar as tuas convergências me é difícil demais
Demais, demais, demais

Ainda desejo a sua companhia
Então não me afasta, reprime
e me obriga a te deixar um dia
Porque só será impossível
Até que eu consiga pela primeira vez

Não pense nem por um só segundo
Que é esse o meu querer, o meu anseio
Nunca!
Mas o tempo será o único juiz
E ele é imparcial e indiferente

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Barra de Chocolate

Amnésia. Escape. Alienação. Veracidade. Sustentação. Contentamento. Necessidade.

Tinha, não um só sabor, mas vários deles.

Não era só deliciosa,

Macia

Suave

Suculenta.

Doce era, óbvio - mas nem tanto.
Era, simplesmente, boa e real:
Uma coincidência incomum.

Ah! Quem me dera poder tirar um quadradinho dessa barra de chocolate todos os dias!
Só um quadradinho, para degustar devagar.
E fugir, só por um minuto, desse mundo amargo e hostil.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Quantas vezes vou ter que dizer adeus pra você ir?

Um bumerangue sem fim. É assim que é. Tempos e tempos passam, e nada. Não dá o ar da graça em mim. Eu me envolvo com tudo ao meu redor e nem a vaga lembrança, nem o vago som ou lugar que sempre traziam-me recordações, me trazem dessa vez. Fico assim, não tão longe ou tão fria, mas o êxtase já não se reproduz mais. E assim se dá por longos meses (ou anos?). Eu penso às vezes não ter merecimento o meu importar-se. Se não foi de verdade, se não passara de longínquos e fardos pensamentos, que cá hoje já são memórias - porém não são apenas...
E de repente, o turbilhão. A angústia e o arrependimento, e por fim, a curiosidade. Ah! Curiosidade que me estrangula aos poucos, que me aperta a alma e faz dela um mar revolto de desilusões! Coragem me faltou e veio o tempo esmagar, primeiro, a oportunidade, depois, as poucas divagações - o resto que sobrou do tudo que nada foi.
Porque sou assim e não menos imaginativa? Por que razão se deve esse meu ponderar incessante sobre um mal que não tem cura? Um feito - ou não-feito - que não tem resgate... Mas é dessa forma confusa que convivo com minhas dúvidas: espanto-as para o mais longe possível, tento escondê-las, tento esquecê-las, sumir com elas, e elas voltam. Voltam pra assombrar a minha relativa paz de espírito, a minha conformação.
Eu já estava conformada, sim. De que não foi porque não era pra ser. De que nunca nem sequer existiram chances pra ser. Impossível, eu já sabia que era desde a primeira vez que cogitei a sua realização. Não surgiu para ser realizado e sim para doer, e ser esquecido. A meta a ser alcançada assim será, disso depende o futuro de coisas mais dignas e mais prováveis. E eu sinto esse dia próximo, apesar de agora, exatamente agora, me parecer mais longe, mais penoso, mais inútil e mais incontrolável do que nunca - é que dizem que o ponto mais escuro da noite é logo antes do primeiro raio de luz chegar. Acredito, porque é uma dívida que tenho comigo mesma.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Simplesmente Não Teve Outro Jeito.

Fiz burrada de novo, estilo novidade do ano (ironia).

Bom, só posso dizer que essa foi uma semana muito difícil...
Mas isso não é uma justificativa muito boa, afinal, é a milésima vez que faço isso, essa não foi a primeira mas com a força de maomé, eu espero que seja a última.

Aliás, prorrogar as coisas sempre foi uma das minhas melhores habilidades. Pena que essa habilidade, tão minha companheira em tempos antigos, agora está fu***** a minha vida.

Hoje por exemplo, eu faltei aula. Simples assim. Mas isso foi devido ao fato de eu ter deixado pra fazer a merda da lista de matemática de última hora, algo que eu faço regularmente e preciso urgentemente deixar de fazer.

Agora eu tive que perder as 4 aulas de hoje, incluindo a de Matemática Financeira, e eu vou me lascar depois pra recuperar as matérias do dia.

Mas Que Jeito? - se eu tinha que fazer esta bosta de matemática, o que eu não poderia fazer de tarde, já que nesse período estarei me escrachando de estudar história e geografia. Porque amanhã tem prova dessas 3 disciplinas e são justamente essas que eu fiquei com ZERO em uma prova na unidade passada (eu NÃO FIZ a prova, não sou tão burra assim pra tirar 0 nas três, ou melhor, sou, por ter perdido a 2ª chamada...grrrr), e por isso tenho que brocar muito nessa maldita de amanhã.

E então foi por tudo isso que acordei hoje as 3 e meia da manhã - tinha ido dormir 11:30, totalizando 4 horas de sono, o que é até uma quantidade razoável pra mim ultimamente...

- Tomei um banho gelado (o chuveiro tava no modo quente, mas eu senti gelado, juro...)
- Fui me arrastando para o quarto e levei quase 20 minutos pra colocar a roupa da escola.
- Me dirigi à cozinha, bebi um gole d'água, achei a mesa da sala, sentei e comecei a resolver as questões mais lentamente do que era o meu objetivo.

Pelo fato de ter colocado a farda, ficara fácil perceber que eu realmente pretendia ir pro colégio. Mas não deu, cara... não deu... Era minha intenção ir na hora do intervalo e pegar as duas aulas mais importantes do dia, mas NÃO DEU.

Às 7 horas, eu só tinha resolvido 10 questões. Foi nessa hora que eu realizei que, se eu quisesse terminar essa lista hoje e ainda estudar o resto, ou melhor, quisesse não, necessitasse - é mais próximo da realidade -, eu teria que ficar a manhã toda no esforço sobre-humano pra conseguir isso.


E é isso que estou fazendo. Quer dizer, eu dei uma paradinha agora pra escrever aqui, mas já vou voltar... Ah, pelo amor de jeová, né impressora aqui não!
Tá, parei, já vou voltar para minha rotina hostil, êêê!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Dia Em Que Percebo Uma Grande Merda.

Foi assim:
Lá estava eu em mais um início de dia chato na escola.
As aulas ainda não tinham começado e eu estava na sala de minhas amigas ( não é a mesma que a minha, dã!), imaginando pela trilionésima vez no ano que porcaria que eu tinha ido fazer naquele lugar maldito tão cedo.
Eis que uma amiga minha descobre que tinha esquecido o caderno no carro, me pede pra voltar na portaria com ela pra pegar o bendito.
Na portaria, com cara de poucos amigos, está o coordenador.
Algo importante me vem em mente e eu tenho a brilhante idéia de fazer a seguinte pergunta que iria estragar o resto do meu dia:

- Eduardo, quando é a prova de segunda chamada?

- Ué, qual? Porque já teve uma ontem...

- Quê???? História, Matématica e Geografia...

- Foi ontem... Não me diga que você não fez...

- Não... não fiz, não.... .... ... ... ... NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO! :( :(

- Ah, eu não to acreditando nisso...

- E agora, Eduardo? (voz falhando) Eu vo ficar com zero nas três????????? (voz esganiçada)

- Ô... fazer o quê... Menina, como é que você faz uma coisa dessas?

E é isso que eu ainda estou me perguntando até hoje...

COMO??????
Jesus, eu não sou uma pessoa normal...

E aí foi desse jeito que eu entrei nessa semi-crise existencial que me encontro no momento. Quer dizer, QUEM FAZ ISSO? Além de mim, claro... Eu juro, juro, juro que não passou pela minha cabeça de fazer o óbvio que era olhar no quadro de avisos. Eu imaginei, na minha santa inocência, que ia passar uma tia na sala pra avisar, como acontecia no 2º ano... Mas deixa eu dizer umas coisas que eu venho descobrindo esse ano:

TERCEIRÃO NÃO TEM PORRA NENHUMA DE BOM.

VOCÊ SÓ SE LENHA E SE LENHA DE FORMAS ALTERNADAS E VARIADAS DE VEZES.

TUDO DEPENDE DE VOCÊ E VOCÊ SEMPRE É PREJUDICADO EM RELAÇÃO ÀS OUTRAS SÉRIES.

NADA DE FERIADO OU FÉRIAS DE TAMANHO DECENTE - ISSO É COISA PARA FRACOS, ASSIM COMO DORMIR OU SE DIVERTIR SEM CONSCIÊNCIA PESADA.

TODOS OS SEUS PROBLEMAS DOBRAM - SE SUAS RELAÇÕES ESTÃO ABALADAS, IRÃO PARA O ABISMO, SE ESTÃO BOAS, FICARÃO ABALADAS EM BREVE.

ESTUDAR NÃO SERÁ OBRIGAÇÃO E SIM NECESSIDADE - PARA CONTINUAR VIVO DIANTE DE TODA A PRESSÃO QUE CHEGARÁ DE TODOS OS LADOS, ATÉ DE QUEM NEM LHE CONHECE.

Mas uma outra percepção chegou até mim com toda essa história:

Depende de você e só de você. Não adianta fazer pelos outros ou culpar os outros. Tem que ser por você, pelo que você quer e não pelo que o resto vai achar. Porque agora tudo é sua culpa. Todas as merdas que você fizer serão sua culpa e você terá que assumir a responsabilidade e acarretar com as consequências sozinho.
UFA... Queee BOM, hein? :D :D

O menos pior disso tudo é que agora pelo menos eu já sei o que NÃO FAZER:
- Não esperar mais que as coisas caiam do céu, porque as únicas coisas que caem do céu são chuva, neve e balão... ah, e avião :/
E agora só resta descobrir o quê e como fazer.
Aaaaaaah, mas isso vai ser fááácil... (sarcasmo imbutido).

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Prefácio Dos Últimos Dias

Faz tempo que me sinto cansada e não sei. Não sei o porquê, não sei responder quando me perguntam, não sei nem quando isso começou. É algo tão árcade, uma vontade grande de simplesmente fugir e me juntar aos meus. Aqueles que não esperam nada de mim e no entanto esperam tudo, pois acreditam no que valho, no que mereço, no que sou capaz e num futuro brilhante pra mim, só porque não importa qual seja meu futuro e sim que seja - ele sempre será brilhante porque EU brilho diante deles, diante do que sentem por mim, sentimento tão livre e desimpedido. Pelo quê são tão gratos? Tento merecer, mas nao sei se obtenho êxito.

Nada é simples como pensamos ter sido o passado ou que será o futuro: o passado só é simples porque já se foi, o futuro só é simples porque ainda não veio... E é com isso que ainda me consolo, um dia vai passar também e o futuro pode ser pior, então eis que vem a dúvida constante: será que quero mesmo que termine? O agora tem tido suas questões, suas lágrimas, seus esforços... mas não serão os de mais tarde ainda piores? Não é medo, não. É preguiça de mudar que tenho às vezes, de ter que aprender a lidar com novas situações, principalmente quando as imagino potencialmente mais problemáticas que as do presente.

Mas como disse, medo, medo, eu não tenho. Tenho mania de pensar que se ja aguentei e passei por tudo que já chegara até mim, até agora, sou capaz de enfrentar ainda muita coisa, não tudo, mais ainda muita coisa. Só que esses tempos vêm me levando ao desencatamento dessa provável ilusão, tão provável que quase desacreditei dela. E foi nos últimos meses que me provei, quase achei que iria cair por terra, e olha só: estou de pé. É claro que não foi a toa que me vieram esses pensamentos, tenho tidos tantos momentos de derrota e escassas vitórias, tantos erros meus, tantos erros alheios - todos tão difíceis de suportar. Decepções antigas que resolveram vir me assolar justo agora, logo agora que as novas já me perseguem... Fiz tantas burrices, cometi tantas banalidades minhas, defeitos que já conhecia e já tinha decidido superar - porque me é tão necessário superar - mas simplesmente não consigo.

No entanto, estou de pé, sim. Não vívida, talvez... mas vivíssima! Já me conformei um pouco mais com os erros que irão se repetir sempre em minha vida, também fazem parte de mim. Apesar do maldito perfeccionismo que me rege, tento entender que estou longe de conseguir a perfeição que tanto anseio para minha conduta - quem não o faz, com intensidades e formas diferentes? Nunca vou ser aquilo que desejo, porque sempre quando mudo, eu passo a anseiar por novas coisas... Mas não é por isso que vou deixar de tentar alcançar aquilo pelo que desejo no dado momento, afinal, se o fizesse, nunca iria mudar... Permaneceria estática e não há nada pior na vida. E é isso que estou indo fazer neste exato momento: MUDAR, será um pouquinho a cada dia, a partir de agora.